A soja entrará no lugar do milho
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sexta-feira, 05 de setembro de 1997
Cláudia Barberato 
ArriscandoPanchoni acredita que pular a rotação por um ou dois anos não será problemaO produtor Nivaldo Panchoni, de Cambé, pretende destinar cem por cento de sua área para a soja na safra de verão. Mesmo sabendo que este será um ano, ao que tudo indica, climaticamente favorável ao milho, não deverá arriscar o cultivo desse cereal.
A opção pela soja deve-se à previsão de que as cotações serão mais atrativas do que as do milho no mercado futuro. A soja é plantada no sistema convencional e sai mais em conta do que o milho que, cultivado no plantio direto, demanda maior investimento. Segundo Panchoni a lavoura de milho é mais cara, quando se segue à risca todas as recomendações.
Começa pelo uso de boas sementes, alta tecnologia de cultivo do plantio direto, adubação pesada de cobertura (nitrogênio, fósforo e potássio) e herbicidas mais caros, entre outras despesas.
Outra razão que levou Panchoni a não cultivar o milho é o plantio do cereal na safrinha. O baixo resultado em produtividade da lavoura, que sofreu com a seca, desestimulou novo cultivo e, agronomicamente não é indicado, segundo o produtor, plantar o milho seguidamente.
Baixa produtividadeDurante esta semana Panchoni colheu parte da área de milho safrinha. Foram cultivados 45 alqueires (18,5 hectares). Enquanto a produtividade média esperada era de 85 sacas por alqueire (35,12 sacas/ha), neste ano, foram colhidas 50 sacas por alqueire (20,66 sacas/ha). A queda na produtividade, segundo Panchoni, deveu-se à estiagem no início do cultivo. Depois, a chuva do mês de junho não recuperou o milho que já tinha pendoado.
Dorico da SilvaO milho da safrinha sofreu com a estiagem e ficou abaixo da produtividade esperada
Na safra de inverno do ano passado a produtividade da safrinha de milho no sítio dos Panchoni chegou a 160 sacas por alqueire (66,11 sacas/ha), sem adubação, necessitando apenas o controle da lagarta. Neste ano, em que adubei a lavoura na safrinha, a chuva afetou a produtividade, comenta o lavrador.
Mudança de planosNo verão a família Panchoni, que tem mais duas propriedades na mesma região, plantará 85 alqueires (35,12 ha) de soja. Pela rotação adotada nas propriedades, há mais de 10 anos, este seria o ano do milho no verão, mas as oscilações de preços dos produtos mudaram o roteiro. Uma atitude que não agrada os técnicos mas que, segundo o produtor, não deverá afetar o planejamento de cultivos da propriedade.
Panchoni diz que, na sua vizinhança, a área do milho deve cair 15%. O clima não tem colaborado. Para quem vai cultivar o milho, já era hora de passar o herbicida para controle das ervas daninhas. No caso da soja, com plantio recomendado em fins de outubro, a hora é de verificar se há necessidade da correção do solo e outros manejos.
Cronograma atrasadoO clima, segundo Panchoni, afetou todo o cronograma das lavouras. O trigo, por exemplo, será colhido mais tarde. Para as lavouras instaladas no ínicio de abril a colheita já começou. Mas o trigo plantado até 15 de maio, que enfrentou mais estiagem, será colhido praticamente no final de setembro. Quando o tempo corre bem, normalmente colhe-se no final de agosto. A partir de uma boa chuva agora, nos próximos dias, quem não depender de recursos de financiamento poderá plantar o milho, conclui.


