Desde que se formou engenheiro agrônomo, cerca de 30 anos atrás, Samir Cury Eide vem trabalhado com o comércio de terras. Mesmo agora que seu cargo de consultor e sócio no Instituto de Desenvolvimento Empresarial indique um caminho mais urbano, ele avisa que não deixou de ser agrônomo, nem mesmo de negociador de imóveis rurais.
Mas para cumprir a nova tarefa, ele conta que ''está difícil''. Recentemente, amigos pediram que Cury encontrasse uma propriedade num raio de 100 quilômetros de Londrina. Não conseguiu. Toda essa dificuldade tem um nome, dos mais curtos por sinal: soja. Cury chama de ''a rainha das culturas''. ''Quem tem terra não quer vender'', garante.
Mensalmente, o Departamento de Economia Rural (Deral) recolhe informações de todo o Estado sobre os preços de três tipos de terras encontrados no território paranaense. No mapa do Deral, os 19,2 milhões de ha do Paraná são divididos entre a terra roxa do norte (5,4 milhões de hectares), a mista do centro-sul (11 milhões) e a arenosa do noroeste (2,8 milhões). O levantamento de preços ainda sofre outra subdivisão conforme a situação, seja ela uma terra mecanizada, mecanizável, não-mecanizável e a inaproveitável.
Para falar de valores, Richardson de Souza, do Deral, avisa logo que a base para qualquer análise é o ano 2000. ''De 1995 a 2000, os preços ficaram inalterados'', lembra. ''Em 2001, é que tivemos um avanço com a valorização da soja'', completa.
Segundo Souza, em 1990, a área de soja plantada em todo o Estado era de 2,3 milhões de hectares. ''Hoje já são 3,928 milhões de hectares, o que significa um aumento de mais de 70%'', calcula.
Ainda fazendo as contas, o engenheiro agrônomo do Deral relembra que em 2000, a saca de 60 quilos de soja era vendida por R$ 17,15. Quatro anos depois, a média no Paraná é de R$ 52, mais de 200% de aumento.
Em fevereiro, o preço do hectare de terra mecanizada custa R$ 11.240,00 (terra roxa), R$ 7.573,00, (mista) e R$ 7.745,00 (arenito). Só no ano passado, valorização das terras bateu nos 60%. ''Mas dá para constatar com os corretores que o mercado está parado. Quem tem não vende'', explica Richardson de Souza, fazendo coro a Samir Cury
''Há uns 10, 15 anos, eu já percebia uma tendência de que o preço das terras iria ficar nivelado. As pesquisas, como a da Embrapa Soja, oferecem sementes que se adaptam a todos os tipos de terras. Além disso, existem também os estudos de recuperação de solo'', conta Cury.
Segundo o consultor, só vende uma propriedade rural, quem tem idade avançada, percebe que a família não tem desejo em continuar o patrimônio ou teve algum acidente de percurso. ''Mas aí são casos isolados'', garante.

mockup