A soja depois das eleições
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sexta-feira, 25 de outubro de 2002
Reportagem local 
Fim do período eleitoral, quem segurou a soja, diante das incertezas da política econômica, agora vai começa a vender o produto. Na próxima segunda-feira o mercado passa a fluir regularmente. Certo ou errado?
Errado. Passadas as eleições de amanhã, os produtores ainda vão dar um tempo, aguardando a poeira se assentar. Depois vão pensar em vender em parcelas, no mercado físico ou futuro. Sempre sem pressa.
Vários fatores justificam essa atitude: 1) A disparidade cambial continua acentuada e prometendo vantagens para quem exporta, 2) Os estoques internos do produto são baixos e são disputados de forma acirrada pela indústria nacional, 3) A safra de verão está atrasada por falta de chuvas e isto pode refletir na Bolsa, 4) Este ano, com os estoques mundiais abaixo de 5 milhões de toneladas, qualquer irregularidade climática trará grandes oscilações nos preços internacionais, 5) A expectativa de que a demanda internacional deve continuar firme, 6) As chances de ganhar o mercado chinês aumentam com a possibilidade de o Brasil importar milho da China, como já foi cogitado. Isto não será feito pelo nosso principal concorrente pois os EUA não teriam o meor interesse no milho chinês. Com relação à China, a posição do Brasil só não é mais otimista porque o governo chinês decidiu prorrogar até setembro de 2003 o prazo para pôr em prática as novas regras sanitárias.
E mais, os preços da soja no Brasil continuarão, por mais alguns dias ou semanas, ''descolados'' dos preços da Bolsa de Chicago, seu principal referencial de mercado (em condições normais). No caso ds novas normas sanitárias da China, que incluem restrições aos transgênicos, a soja brasileira, não transgênica, se beneficiaria dessa legislação que entraria em vigor este ano. Mas março está próximo. Além disso, a posição brasileira - especificamente neste caso - é mais cômoda do que a norte-americana. Dependendo dos limites de tolerância que a China vier a estabelecer, o comércio da soja transgênica pode tornar-se inviável. Mas é bom não apostar muito nessa hipótese.
Por menos do que todos esses fatores, o mercado mundial nestes dias está voltado para as condições de desenvolvimento das lavouras da América do Sul, especialmente no Brasil. A manifestação do El NiÀo só aumenta a expectativa. A falta de chuvas já provoca pelo menos duas situações adversas: atraso no plantio, o que expõe a futura safra a maiores riscos climáticos e, o que é pior, atrasa o plantio da safrinha - de milho ou de soja (Veja reportagem sobre a seca).
Mas, até quando esse cenário deve prevalecer?
Segundo analistas de mercado, o parâmetro é o dólar. Se os investidores continuarem na postura defensiva com relação ao futuro governo, o dólar se manterá em alta e a soja - como outros itens da exportação - igualmente se manterá em ascensão.
Operadores de cooperativas do Paraná não assumem inteiramente esta tendência. Mas, para a M.Prado Consultoria, de São Paulo, a persistência da desvalorização do Real, aliada à demanda firme pela soja para esmagamento interno tende a manter os preços do grão em patamares recordes em praticamente todas as regiões. ''O atraso do plantio e a consequente ausência da soja precoce devem sustentar esse cenário até meados de janeiro'', afirmam os analistas da M. Prado.


