Do outro lado do rio, no Estado de São Paulo, a realidade é bastante diferente. Ao invés de multas e embargos, os produtores contam com políticas e programas de incentivo à piscicultura em tanques-rede.
Segundo o pesquisador Luiz Marques da Silva Ayroza, diretor do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios do Médio Paranapanema (Apta), o órgão dispõe de linhas de crédito para o financiamento de projetos de psicultura. A Apta integra a Secretaria de Agricultura de São Paulo.
Um programa implantado em 2001 teve um aporte de R$ 2,6 milhões que beneficiou 100 produtores (os projetos foram executados em 2002/2003). Para este ano já foram destinados mais de R$ 3 milhões e há ainda projetos sendo analisados que deverão absorver mais uma verba de R$ 1 milhão. Ayrosa informa também que sobre os incentivos do Governo Federal, como as linhas de crédito BNDES/Prodeagro liberados via Banco do Brasil.
Entre os projetos analisados para a instalação na margem paulista do rio Ayrosa cita o exemplo de duas tradicionais empresas paranaenses de produção de alevinos, que estão se mudando para lá devido a dificuldade que enfrentam com o Ibama do Paraná.
Ayrosa admite que o que atrapalha a atividade é a ausência desta licença ambiental, que deveria ser concedida pelo Ibama. ''Há estudos que comprovam a viabilidade dos tanques redes sem riscos ambientais, mas o Ibama ainda não se sentou com órgãos de pesquisa para regularizar isso'', reclama.
O pesquisador defende a viabilidade do cultivo da tilápia e cita estudos científicos do Instituto de Pesca de São Paulo - um órgão oficial - que mostram a tilápia como uma espécie estabelecida nas bacias hidrográficas de São Paulo, inclusive o Paranapanema, convivendo pacificamente com as espécies nativas sem nenhum registro de desastre ecológico.
No País, de acordo com o pesquisador, há mais de 10 mil tanques-rede em funcionamento, nenhum com licença ambiental. Do ponto de vista ''legal'', portanto, todos funcionam irregularmente.
Ayrosa concorda que o Ibama não pode se furtar ao cumprimento da lei quando ocorrem denúncias como o que aconteceu no Paraná, mas diz que é possível estabelecer boas relações. ''O escritório do Ibama em Assis (SP), por exemplo, recebe e avalia todos os projetos instalados via Apta e que estão em execução'', informa.(C.G.)

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