A revolução dos biofortificados
Os passos que a revolução biotecnológica está dando para a humanidade são tão importantes quanto os da Revolução Industrial no século 18, principalmente para países como da África, Ásia e América Latina, que praticam a agricultura de subsistência. O milho e derivados produzidos pelas indústrias moageiras compõem a dieta básica dessas populações.
A alta tecnologia a serviço da agricultura criou as variedades QPMs de milhos biofortificados que, transformados pela indústria moageira, em fubá, óleos, e salgadinhos, podem contribuir com a qualidade nutricional de populações carentes.
Ainda existe uma falta de conhecimento sobre as qualidades nutricionais do milho, sendo que 85% da produção brasileira no ano passado foram destinadas às rações animais. A alimentação humana recebe apenas 4,8 milhões de toneladas, algo em torno de 12% do total da produção.
A partir da década de 80, com o desenvolvimento dos milhos QTM, os biofortificados, a qualidade nutricional do cereal melhorou através do aumento da concentração dos dois aminioácidos. Quando aumentamos a concentração, conseguimos uma qualidade de proteína de 85% em relação àquela encontrada no leite, o que para a alimentação humana é muito importante, afirma Maria Cristina Dias Paes, pesquisadora com formação em Nutrição Humana da Embrapa Milho e Sorgo, em Sete Lagoas (MG). Ela acrescenta que a instituição trabalha também com a seleção de linhagens, objetivando desenvolver milho com altos teores de ferro, zinco e carotenóides pró-vitamina A.
Vários estudos foram apresentados na década de 90 sobre os resultados positivos da biofortificação, sendo que as variedades foram bastante difundidas, principalmente nas fazendas mineiras.
Maria Cristina destaca que as novas pesquisas identificaram em alguns materiais carotenos em milho amarelo em torno de 2,5 microgramas por grama do alimento. Porém, já foram encontrados materiais com 8 microgramas por grama. Esperamos que esses produtos sejam liberados para a comercialização em cerca de cinco ou oito anos, projeta a pesquisadora.
A pesquisadora acredita que a tendência, aberta pela população em busca de alimentos bionutricionais, contribua para o aumento do consumo de milho na zona urbana, que prefere os derivados da indústria moageira.
A maioria dos salgadinhos do tipo expandidos é obtido de derivados de milho. Na cidade também se consome muita pipoca, bolos de fubá e óleo, o que não podemos desconsiderar como importante para o consumo de milho, destaca Maria Cristina. (F.L.)





