A Ecologia Química é uma ciência nova que tenta entender o que a planta quer dizer por meio de substâncias químicas. Pesquisas indicam que ao longo da evolução, as plantas e os animais desenvolveram sistemas de defesa e de comunicação a partir da emissão de substâncias químicas. São essas substâncias que fazem com que os organismos vivos apresentem uma determinada característica.
Os estudos da ecologia química estão permitindo aos cientistas avanços em diferentes áreas do conhecimento, como a agricultura, saúde pública, biologia marinha e sustentabilidade ambiental. No Brasil essa ciência é estudada desde 1996. Os resultados desses estudos foram apresentados na semana passada num evento realizado em Londrina.
Na agricultura, um dos principais trabalhos apresentados é a pesquisa com o percevejo marron (Euschistus heros), principal praga da soja em todo o País. A maior preocupação dos pesquisadores é com aplicação excessiva - e até desordenada - de inseticidas no controle do inseto. A pesquisa quer estimular a autodefesa das plantas contra os inimigos naturais.
A pesquisa está sendo desenvolvida em parceria entre a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen), de Brasília (DF), e duas empresas - uma especializada em controle biológico e outra responsável pela formulação do feromônio sintético (substâncias químicas que os insetos usam para se comunicar dentro de sua própria espécie - a fêmea, por exemplo, usa o feromônio sexual para atrair o macho para o acasalamento).
O pesquisador Miguel Borges, da Embrapa Cenargen, explica que o composto será utilizado em uma armadilhas que deverá atrair as fêmeas do percevejo. ''Com o protótipo da armadilha os produtores vão conseguir monitorar o número de insetos que ataca as lavouras e aplicar a quantidade correta de inseticida''. O pesquisador explica que ainda não é possível precisar quanto se pode diminuir a aplicação de inseticidas nas lavouras. Atualmente, para o controle de insetos, estima Borges, uma lavoura de soja sofre entre cinco e sete aplicações de inseticidas por safra.
Outra pesquisa desenvolvida com a parceria da Embrapa, refere-se ao som (vibração) emitido pelo percevejo para encontrar parceiros. Borges explica que o sinal sonoro do inseto, inaudível para o homem, tem um percurso comprovado de até 2 Km de distância. Com avançados recursos tecnológicos (micro-chips), é possível captar esse som e reproduzi-lo em armadilhas. ''Estamos estudando essa tecnologia para atrair e capturar os insetos''.

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