A propriedade referência dos Lavarias é lucro certo
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sexta-feira, 26 de julho de 2002
Oswaldo Petrin<BR>Reportagem local 
Dois anos atrás, o café de Francisco José Lavarias, na Comunidade do Bilote, em Barra nova, Apucarana, chegou a ser vendido por R$ 2,50 o quilo-renda. Café bom, ''catado no pano'', lavado e submetido à secagem ''dentro da técnica''. Esta semana, o preço café da mesma qualidade, talvez melhor, não passava de R$ 1,10. Em compensação, o leite - que um ano atrás ''tinha um preço que não valia quase nada'', atualmente está deixando R$ 0,35/litro, menos um custo de produção estimado em R$ 0,16/litro.
Mas Lavarias ainda conta a plantação de grãos. ''Um compensa o outro, esse é o motivo de diversificar'', explica.
Francisco Lavarias chegou à região em 1957, ainda criança, e começou trabalhar cedo, como empreiteiro de roça. O pai deixou o interior paulista para ''fazer o futuro'' na então nova fronteira do café, o Norte do Paraná. Em 1970 Francisco casa-se com a filha do dono do sítio que tocava, dona Irene Pascholski. ''Formei a família e fiquei por aqui mesmo''.
Moram o filho José Augusto, a nora e a netinha no mesmo local onde dona Irene nasceu. O casal tem mais duas filhas casadas e seis netos.
Na agricultura, como todos, os Lavarias também enfrentaram dificuldades. Além dos seus 36 ha, até três anos atrás a família arrendava terra para melhorar a renda.
O café adensado e o incremento à produção leitiera foram pontos fortes na arrancada para uma economia mais estável e uma qualidade de vida que vem melhorando rapidamente.
O agricultor e o filho sempre batalharam muito, e ganharam uma força com a inclusão da propriedade na Rede de Referências que envolve órgãos do governodo Estado.
Da vida trabalhosa que leva, o agricultor não reclama. Tem boa renda, investe na melhoria da lavoura; tem os equipamentos necessários e veículos. A produção de 350 litros de leite/dia garante um bom giro.
Ele e o filho explicam que antes tinham bons resultados, mas agora esses resultados - lucros e prejuízos - estão mais claros com a orientação que recebe ao fazer parte da Rede de Referências, desde a safra 1998/99.
Negociar bem - Em dado momento da conversa com o repórter, Lavarias aproveita a presença do técnico da Emater para enviar à cidade as amostras de café. O café vai para análise. O produtor vai ficar conhecendo as características do café que produziu, o tipo de bebida, enfim o padrão da mercadoria que tem em mãos. Agora, quando chegar o momento de negociar o café, o produtor ''não vai ficar na mão do intermediário'' - como observa o Filho José Augusto. É só acompanhar o mercado e saber o preço daquele tipo de café.
O agricultor acha que isto é fundamental. Mas ao se interessar pela identificação da mercadoria, Lavarias também vai ver o que precisa fazer para ir melhorando o grão das safras seguintes.
Mais adiante, já no talhão de café, Benedito tem outra prova da importância da presença do técnico da Emater. ''Para esse tipo de praga (era bicho mineiro) o senhor não precisa aplicar uma gota de fungicida. Pega a urina do gado, mistura na proporção de 1 para cada 100 litros de água e depois pulveriza. Além de controlar o ataque, a urina vai mineralizar as plantas que ainda podem ficar mais resistentes (tolerantes) à geada.
O extensionsita esclarece que aquela técnica é discutível e que o agricultor deve ficar atento. A recomendação demanda outros detalhes como a permanência da mistura por quatro dias para ''decantação''. O acompanhamento é mais amplo e as técnicas repassadas são muitas: começam com a escolha do melhor local e das variedades. O agricultor é diversificado, tem um bom plantel leiteiro, mas não nega um certo carinho para com o café.
O sistema adensado compreende muitas técnicas, implica em mudança de postura. Benedito plantou as variedades Iapar 59 e Iapar 88. O filho José Augusto acha que as duas são bem resistentes, mas o Iapar 59 ''é o que carrega mais''. O diálogo entre agricultores e técnico agropecuário Marco Antônio Casini Sanchez evidencia a confiança no trabalho do extensionista, que elogiam. Benedito e o filho José Augusto reconhecem que muita coisa mudou na propriedade.
Quando o repórter pergunta sobre política, o tranquilo Benedito José Lavarias se irrita. ''Não gosto desse pessoal, que nada. Cita o exemplo a falta de conservação das estradas. ''Por causa de um trecho de 500 metros que o município não cuida, tenho que levar o leite (até a estrada principal) de carreta todo os dias''. O carreador da propriedade é bom, mas a estrada que pertence ao município está abandonada; não pode chover. Até o transporte de escolares com a kombi é prejudicado. Entra prefeito, sai prefeito e ninguém toda providência. Eles não apoiam ninguém. É o desabafo de Lavarias, líder comuntário em Barra Nova, Comunidade do Bilote.


