Os pesquisadores da área de fitopatologia da Embrapa-Soja estão apostando em mais uma ferramenta nas pesquisas com o nematóide-de-cisto da soja (NCS). Trata-se da agricultura de precisão. Desde o final de 97, eles desenvolvem um projeto para avaliar o potencial dos instrumentos da agricultura de precisão no suporte ao manejo e ao controle do NCS no campo. O trabalho está sendo feito em conjunto com a Secretaria da Agricultura do Paraná (Seab)e Unesp de Presidente Prudente (SP), numa área-piloto em Sertaneja (PR).
O nematóide-de-cisto é um verme microscópico que ataca as raízes da soja, prejudicando o desenvolvimento da planta. O problema foi identificado pela primeira vez no Brasil na safra 91/92, em Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Mais tarde foi detectado em São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná. Atualmente, a doença atinge 69 municípios e soma prejuízos em torno de US$150 milhões. O NCS é uma séria ameaça às lavouras de soja, devido à dificuldade de controle.
DiagnósticoAs pesquisas em Sertaneja utilizam sistemas de informações, ferramentas de informática e outras tecnologias no planejamento e gerenciamento da propriedade. Na fase atual, os técnicos estão fazendo os ‘‘mapas diagnósticos’’ da área monitorada. Através de um GPS - sistema de rádio-navegação que, com o auxílio de satélites a 22 mil km da Terra, oferece localizações precisas e rápidas -, define-se exatamente o local de onde foram coletadas as amostras de solo para análise.
‘‘Assim temos todo o diagnóstico da área. Ou seja, onde não há e onde há mais ou menos volume de cistos, bem como as condições físicas e químicas do solo’’, explica o pesquisador do convênio entre a Embrapa-Soja e a Seab, Eduardo Alves da Silva.
Eduardo da Silva explica que o receptor GPS e sua antena são levados até a lavoura, determinando os locais exatos de onde são extraídas as amostras de solo para análise. Essas informações são repassadas para um computador, em um Sistema de Informações Geográficas (SIG), que armazena e inter-relaciona os dados coletados, apresentando-os em mapas ou imagens. ‘‘De forma geral, este SIG deve conter mapas apresentando a topografia da propriedade, os tipos de solo, a disponibilidade de nutrientes e de água, a precipitação, as taxas de aplicação de agroquímicos, a produtividade e a ocorrência de doenças e pragas’’.
BenefíciosCom o estudo desses mapas e a inter-relação de informações define-se com maior exatidão quais das tecnologias já recomendadas devem ser empregadas para o controle do nematóide-de-cisto da soja. ‘‘Trocando em miúdos, esse trabalho busca as melhores formas de viabilizar a produção em áreas com nematóide, com a utilização das tecnologias de controle do NCS já existentes’’.
Uma das vantagens da utilização da agricultura de precisão, em todo o processo agrícola, é o benefício econômico, através da racionalização de custos e aumento da produtividade. Eduardo da Silva explica que, no caso do nematóide-de-cisto, normalmente utiliza-se a rotação de culturas em toda a área infestada. ‘‘O produtor muitas vezes perde com isso, por estar plantando culturas com menor valor econômico’’.
Com os instrumentos de precisão, ele pode diversificar a área, utilizando culturas não hospedeiras apenas nos talhões infestados. Também a adoção de outras medidas recomendadas, como a correção e a adubação do solo, podem ser centralizadas apenas nessas áreas, evitando o desperdício desses produtos.
Dados nacionaisO trabalho desenvolvido em Sertaneja busca também verificar quais as ferramentas e a metodologia de trabalho da agricultura de precisão mais eficazes para monitoramento e controle do nematóide. Eduardo da Silva conta que outra proposta é a utilização dos instrumentos de precisão no mapeamento das áreas infestadas no País. ‘‘Pretendemos montar um banco de dados com todas as informações sobre o NCS no Brasil. Um trabalho que pode servir de base para a definição de medidas políticas de controle do problema’’, explica.
Por ser novidade e ter custos elevados, a agricultura de precisão está sendo utilizada em poucas áreas brasileiras. ‘‘Mas, mesmo sem instrumentos de precisão, o produtor pode estar em ótimas condições de competitividade se fizer o monitoramento, planejamento e acompanhamento rotineiro da lavoura’’, argumenta o pesquisador.

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