A prática faz a diferença
Curitiba - O conhecimento adquirido em três anos de estudos, quase que ininterruptos, no CEEP Lysimaco Ferreira da Costa, em Rio Negro, serve para vida profissional de Celso Wenski até hoje. Ele se formou no ano de 1975, no curso técnico de Agropecuária, e de lá para cá não voltou a vida de estudante. ''Eu tive muita aula prática, nem férias eu tirava. Desenvolvi muito projeto no colégio voltado para a produção de leite e também no melhoramento de culturas. O ensino foi bem intenso'', recorda Wenski, 50 anos, chefe do Núcleo de Curitiba da Secretaria de Estado de Agriculcura e Abastecimento.
''Continuo praticando tudo que aprendi lá. Só não me dediquei mais a pecuária, apesar de gostar muito'', conta ele, natural de Campo Tenente, ressaltando a importância destes estabelecimentos para os filhos dos pequenos produtores. ''O diferencial das escolas agrícolas é a prática, porque você põe a mão na massa e acaba definindo se é aquilo que você gosta ou não. É quando descobre se você tem o dom'', explica Wenski, acrescentando que a parte teórica sobre economia e técnica agropecuária também somam à formação.
O CEEP Lysimaco Ferreira da Costa é o colégio agrícola mais antigo em funcionamento. Acabou de completar 70 anos. ''O estabelecimento iniciou como uma estação de vinicultura, mas também já atendia alguns menores, na época'', relata o diretor da escola, Newton César Marques. De acordo com ele, o técnico em nível médio do curso de Agropecuária pode atuar prestando assistência técnica, em pesquisas de extensão e trabalhar em órgãos públicos e empresas privadas do setor, embora boa parte retorne para a propriedade da família.
''Damos prioridade aos alunos oriundos do meio rural. O conhecimento que eles já trazem do campo é valorizado e ampliado, acrescentado a base científica.
Aqueles que voltam para casa podem incrementar a agricultura familiar e quem deseja seguir com os estudos, pode tentar uma carreira nas áreas ligadas às ciências agrárias'', diz Marques. Nos últimos três anos, avalia, houve uma melhora curricular das escolas agrícolas, com a substituição do ensino modular - que exigia do aluno cursar o Ensino Médio e os técnicos de agricultura e pecuária separados - pelo integrado.
''Trazia transtorno e se perdia muito conhecimento. O ensino integrado garante a aprendizagem do aluno porque ele co-relaciona todas as disciplinas. O aluno aprende a base nacional do Ensino Médio e mais as matérias técnicas'', explica o diretor, informando que dentro destas últimas estão as disciplinas de Criação Animal, Noções de Zootecnia, Irrigação, Fruticultura, Culturas Comerciais e Topografia, por exemplo. O colégio Agrícola de Rio Negro possui 275 alunos matriculados, destes, 150 são internos, e ainda 30 professores.
Parte do aprendizado se dá na fazenda-escola, de 111 hectares, onde também acontece o estágio supervisionado. Fora o ensino, a alimentação e alojamento são oferecidos sem ônus algum para os pais dos alunos. Lá são servidas as três refeições diárias e mais três lanches. Parte dos alimentos são produzidos pelos próprios estudantes durante as aulas práticas. ''As escolas agrícolas estão sendo reaparelhadas e refletindo o ensino de qualidade, porque estão garantidos os recursos para alimentação e manutenção da escola'', comemora ele. (F.G.)





