A prática do Refúgio
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Renato Oliveira<br>Reportagem Local 
Balancear o processo de seleção é a melhor definção sobre a prática do refúgio. Em tempos de sementes geneticamente modificadas (transgênicas), evitar que a resistência dos insetos se propague pelas gerações seguintes é fundamental para garantir a eficácia da tecnologia e essa é a função do refúgio. A cultura do milho está na fase dos primeiros experimentos, mas estudos sobre soja e algodão já estão em estágios avançados.
Na prática, o refúgio é uma área dentro de uma plantação de transgênicas (BT) onde há sementes que não foram geneticamente modificadas. Como os insetos daquele local não estão em contato com as sementes modificadas (porque não há a semente BT) o resultado é uma área de preservação onde os insetos modificados vão se reproduzir com os não-modificados. É isso que vai balancear a frequência dos indivíduos geneticamente resistentes, destaca Samuel Martinelli, engenheiro agrônomo da Monsanto do Brasil.
Ele frisa que a cada 10 hectares plantados com sementes BT, é fundamental um hectare com sementes não-modificadas. Para garantir a eficácia da tecnologia, 10% da área deve obedecer essas recomendações, completa. Um detalhe importante é a frequência dos refúgios: a cada 800 metros de extensão deve haver pelo menos uma área intercalada de 100 metros onde haja sementes não-BT plantadas.
A semente transgênica
As sementes transgênicas trazem vantagens como a redução do uso direto de agrotóxicos que elimina a poluição direta ao meio ambiente. O impacto baixa os custos operacionais e também oferece condições mais humanas para o trabalhador do campo. Por exemplo, o milho é a primeira cultura a disseminar a prática no Brasil. Os experimentos começaram no último plantio, porém a previsão aponta para uma utilização expressiva a partir da safrinha do primeiro semestre de 2009.
Como o milho exige várias aplicações de inseticidas, a possibilidade de contaminação é muito grande. Com a nova tecnologia, o aplicador não estará sujeito a intoxicação por agrotóxicos. Aí está o ganho. Produzir aplicando inseticidas com menor frequência, reduz gastos com mão-de-obra e maquinários, explica Ywao Miyamoto, presidente da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem).
Importância do refúgio
A nomenclatura técnica do milho transgênico é milho BT. Entretanto, o principal fator para preservar a tecnologia é orientar o agricultor quanto à importância do refúgio. Com o passar dos tempos pode haver um processo de seleção dos insetos resistentes dentro da lavoura BT. Para evitar, existe o refúgio que serve para fornecer indivíduos suscetíveis, ressalta Martinelli.
As sementes de milho BT tem ação sobre três pragas importantes: lagarta do cartucho, a broca do como e a lagarta da espiga. São pragas chaves na cultura do milho e a variedade BT, de modo geral, possui atuação sobre cada uma. Mas é possível enfatizar a ação sobre pragas que predominem em regiões específicas, exemplifica.
Nos Estados Unidos já há uma grande área de plantio de sementes do milho de variedade BT. O Brasil vai caminhar nessa direção, mas a responsabilidade do agricultor é preservar a cultura. Por isso, é preciso se acostumar com a área de refúgio. Sem ela, a tendência é que a tecnologia se perca e isso não pode acontecer, argumenta Miyamoto.
SAIBA MAIS
Benefícios da tecnologia de milho Bt
* Proteção do potencial produtivo do milho e manutenção da sua produtividade;
* O controle de pragas não atinge outros organismos (não-alvos). Muitas dessas espécies são benéficas ao egroecosistema.
* Portanto é compatível com os conceitos do Manejo Integrado de Pragas (MIP)
* Redução significativa na quantidade de inseticidas químicos aplicados na cultura do milho, com rendimento no mínimo semelhante ao milho convencional;
* Redução no número de embalagens vazias e produtos químicos que devem ser descartados, de acordo com as regulamentações aplicáveis a esses casos, é um benefício ambiental indireto importante;
* A segurança para o homem, peixes, répteis, aves e outros mamíferos é um benefício em relação ao uso de inseticidas químicos convencionais.
* A redução da exposição de trabalhadores a produtos químicos tem sido verificada em diversos países.


