Continuamos atrás do brete. O evento começou. Rodeio no Brasil tem ares de show. Fogos e som alto são indispensáveis. O narrador entra na arena em uma camionete importada. Na sequência vêm as bandeiras, a rainha e as princesas da festa, os peões.
Em Londrina, antes de os touros pularem na arena, aconteceram as chamadas provas funcionais: laço em dupla, três tambores e mala de louco. Entre elas, o laço em dupla também é muito criticado pelos protetores dos animais.
Já dentro do brete, alguns touros dão trabalho. Três deles tentam pular para fora do pequeno espaço. Outros se movimentam bastante. Na linguagem dos peões, isso tem um nome, é o ''touro ruim no brete''. ''O animal sente a corda'', explica um dos competidores.
De fato, os bichos se agitam quando o peão aperta a corda que lhe vai dar sustentação. E eles apertam pra valer, afinal é a única coisa para se segurar sobre o touro. Mais agito tem o animal quando apertam o sedém. Por sinal, o sedém é o principal motivo de discórdia entre os profissionais do rodeio e aqueles que condenam a atividade.
Trata-se de um tipo de corda, feito de crina de cavalo, rabo de boi ou lã, que é amarrada envolvendo a parte traseira do touro, um pouco à frente da bolsa escrotal. Há quem diga que provoca dores, os donos de boiadas garantem que não passa de cócegas. (veja entrevista com veterinário).
O tropeiro responsável pelo animal que está no brete é quem aperta o sedém. Alguns não escondem que torcem para o peão não vencer os oito segundos sobre o bicho. Quanto mais peões colocar no chão, mais valorizado é o touro. A cotação do animal também depende das notas que proporciona aos competidores.
Um a um, os 35 peões participantes da etapa de Londrina vão enfrentando os touros. Praticamente 50% têm sucesso na tentativa de permanecer os oito segundos exigidos pela regra sem cair do animal. Por falar nos animais, vale a pena fazer uma menção aos nomes dos bichos: Tribunal, Desatino, Renegado, Alta Voltagem...
No final, somente um peão pode ser o vencedor. No caso da Expo 2008 ele atende pelo nome de Cláudio Crisóstomo, de apenas 21 anos, da cidade de Barro Alto (GO).
Menino criado no sítio do pai, Crisóstomo estreiou como profissional há cinco anos. Desde então, treina pesado, montando em cinco touros diferentes todos os dias para aprimorar a técnica. Já quebrou o maxilar em quatro lugares, o braço e a clavícula durante as competições.
Apesar de muito novo, ele já tem na lista de prêmios recebidos 11 motocicletas. Em Londrina, faturou em dinheiro: R$ 13 mil. Contudo, o depoimento do campeão sobre o mundo do rodeio é surpreendente. ''Rodeio não é profissão, é uma aventura, é um garimpo. O que se ganha tem que aplicar para poder parar de montar logo. Eu quero parar aos 25 anos. É uma vida sofrida. Só para estar aqui viajei 1,3 mil quilômetros'', finaliza o peão. Em 2008, ele competirá em 40 rodeios.(W.S.)

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