A pobreza no meio da abundância
A abundância material atingiu níveis historicamente sem precedentes, mas estão aumentando as filas dos sem-tetos, dos desempregados e dos famintos nas nações mais ricas. O Relatório do Desenvolvimento Humano de 1998, elaborado pela ONU, mostra que problemas sociais característicos de nações pobres, como privações humanas diversas e analfabetismo, provocados pela baixa renda de milhões de famílias, estão presentes também em nações abastadas do Primeiro Mundo.
Encomendado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNDU), o relatório constata que, na totalidade, as nações mais ricas do Mundo têm mais de 100 milhões de pessoas com rendimentos abaixo do nível da pobreza; que mais de 37 milhões estão desempregados; que 100 milhões não têm abrigo e 200 milhões têm uma expectativa de vida inferior aos 60 anos.
Os números são assustadoramente altos no seio da abundância...O progresso tem que ser distribuído de modo mais equilibrado, afirma James Gustave Speth, Administrador do PNUD.
Extensão das privaçõesO Relatório deste ano apresenta um Índice da Pobreza Humana para os países industrializados, que vai mais longe do que a tradicional avaliação das rendas, levando em consideração as percentagens da população que têm uma expectativa de vida inferior aos 60 anos; que são analfabetos funcionais, que ganham menos da metade dos rendimentos pessoais médios, e que tenham ficado desempregados durante 12 meses ou mais.
Este índice avalia a extensão das privações e da exclusão dos pobres no progresso de um país, declara Sakiko Fukuda-Parr, diretora do Gabinete do Relatório do Desenvolvimento Humano. A pobreza não é apenas uma questão de não se ter rendimentos suficientes, mas também de ser privado das oportunidades de participar e de contribuir para a vida de uma comunidade, acrescenta.
Em termos de pobreza humana, a Suécia é o país melhor colocado. Embora seja o 13º entre os 17 países industrializados da Organização de Cooperação Econômica para o Desenvolvimento (OECD/OCDE), em média dos rendimentos, menos de 7% dos suecos vivem em pobreza humana.
O líder entre os países da OCDE, quer em riqueza material quer em privações materiais, são os Estados Unidos, com o mais alto rendimento per capita e quase 16,5% da população vivendo na pobreza, de acordo com a avaliação feita pelo Índice da Pobreza Humana. Os Estados Unidos estão atualmente usufruindo de uma economia em grande expansão e de uma baixa taxa de desemprego; porém, um quinto do seu povo é constituído por analfabetos funcionais e 13% da sua população não viverão além dos 60 anos - uma percentagem muito superior à de países como a Holanda e a Suécia.
O segundo e o terceiro lugares pobreza entre os 17 países industrializados, cabem à Irlanda, com 15,2%, e ao Reino Unido, com 15% da população vivendo na pobreza.
A extensão da pobreza humana pouco tem a ver com o nível médio das rendas, afirma o Relatório. Embora o Reino Unido e a Holanda apresentem rendas médias semelhantes, o primeiro tem quase o dobro da percentagem de pessoas que vivem na pobreza: 15% contra 8%. (Da Redação)





