A persistência de um pioneiro
Herbert Bartz não temeu as críticas que sofreu na década de 1970 quando trouxe o plantio direto para o Brasil. Ele acreditou na técnica e persistiu na ideia. ''Em 1971 houve um temporal muito forte que estragou toda a minha plantação. Andava no meio da lavoura já tarde da noite e vi a enxurrada levando toda a minha soja'', relembra Bartz. A partir daí, o produtor ficou pensando como poderia resolver o problema. ''Procurei entidades de pesquisas, mas não encontrei solução'', sublinha.
Depois de muito procurar, Bartz ficou sabendo de uma nova técnica de plantio na Inglaterra que reduzia a incidência de erosão. Sem muito recurso disponível para viajar, o produtor comprou uma passagem em 10 parcelas e foi para Inglaterra conhecer a novidade e logo para os Estados Unidos, onde se concentrava as pesquisas do plantio direto em campo. ''Quando cheguei lá, a topografia era quase a mesma, mas com uma diferença, uma cobertura de solo com palha'', destaca. O agricultor conta que passou um dia inteiro conversando com produtores no estado de Kentucky para entender mais sobre a novidade. Bartz lembra que vendo os bons resultados que a técnica trazia no combate a erosão, resolveu utilizá-la no Brasil.
Inicialmente, desabafa, foi bem difícil implantar o sistema no Brasil, principalmente porque não havia implementos adequados para trabalhar com esse novo tipo de manejo. Diferente dos equipamentos tradicionais da época, para o plantio direto eram necessárias máquinas mais fortes para cortar a palhada e abrir o sulco de plantio. ''Era difícil adubar e semear, já que a nossa tecnologia era muito rudimentar''. Com a importação de implementos dos Estados Unidos, o processo facilitou, mas não muito, pois segundo Bartz o solo brasileiro é mais duro do que o americano.
Com o desenvolvimento de novas ferramentas, principalmente com o apoio da Semeato, novos equipamentos foram disponibilizados para os produtores. Bartz conta que os primeiros agricultores a se interessarem pela novidade foram os de Mauá da Serra. Com isso, aos poucos a técnica foi ganhando força e cada vez mais adeptos. Com a implantação do facão de corte, o pioneiro explica que o processo ficou ainda mais fácil. ''O fator para que o plantio direto desse certo foi a criatividade'', sorri Bartz.
Divergências
No início, relembra o pioneiro, a novidade foi recebida com diversos questionamentos por parte da comunidade científica. ''Comprei muita briga com instituições de pesquisas que não aceitavam a técnica'', conta Bartz. Ele completa que, com o passar do tempo, o método foi mostrando-se eficaz.
Bartz lembra que em 1998 foi convidado para ministrar uma palestra para pesquisadores da Sociedade Brasileira de Ciência e Tecnologia na cidade de Goiânia (GO). ''Depois que terminei a minha apresentação, um senhor levantou-se da plateia, foi em minha direção e me chamou de irresponsável. Segundo ele, o motivo da ofensa foi porque adotei o plantio direto sem o apoio da pesquisa'', relata. Bartz conta que respondeu que simplesmente buscava uma solução para o problema da erosão. Hoje, o pioneiro se sente orgulhoso pelo resultado de sua persistência. (R.M.)





