A pele de peixe na passarela
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 20 de outubro de 2006
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
Não é história ou exagero de pescador dizer que da tilápia e de outros peixes exóticos só não se aproveita o berro. Além de atender à indústria frigorífica brasileira, os pescados que, há algum tempo frequentam cardápios de restaurantes sofisticados, também estão conquistando as passarelas em roupas, sapatos e acessórios confeccionados com peles. O último grito de uma tendência que repercute no campo, principalmente entre pequenos produtores que investem na diversificação da produção.
O Paraná, que já teve Assis Chateaubriand (72 quilômetros ao norte de Cascavel) como a capital brasileira do peixe, atualmente exporta tecnologia no processamento de peles e couros de peixes para o México, Equador e Colômbia, necessitando investimentos na área de criação e designer para entrar em alto estilo no mercado de moda.
Desde a década de 90, a professora do Departamento de Zootecnia da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Maria Luiza Rodrigues de Souza, doutora em Aquicultura e em Tecnologia de Pescados, trabalha com peles e couros. E, desde 2003, ela desenvolve o projeto ''Aproveitamento de Peles de Peixes''.
A pesquisa, já apresentada em outros países, conta com o incentivo da Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca (Seap), que foi criada pelo atual governo federal para assessorar a Presidência da República na formulação de políticas para o desenvolvimento da produção pesqueira e aquícola.
''A nossa pesquisa tem o objetivo de desenvolver tecnologias de processamento de peixes de maneira simples para que pequenos produtores possam aprender e aplicá-las na confecção de artesanatos. Mas, desenvolvemos também técnicas sofisticadas com a intenção de atendermos à indústria da moda'', afirma a professora.
Na esteira do ''lixo que não é lixo'', a pele de peixe que, na maioria das vezes é descartada, sendo enterrada como resíduo de produção, pode render na mão do produtor, como mais uma alternativa de negócio.
Para ter uma idéia desse potencial, o metro quadrado de couro bovino custa em média de R$ 40,00 a R$ 60,00, enquanto o de tilápia veria de R$ 150,00 a R$ 200,00, dependendo do modo de curtimento e acabamento.
Este ano, a secretaria de pesca liberou uma verba de R$ 130 mil para a compra de equipamentos de um laboratório, que deve começar a funcionar em novembro e que terá capacidade para processar 300 quilos de peles e couros por dia.


