A nova força da produção rural
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de dezembro de 1997
Vânia Casado Linhares-ES Teixeira de Freitas-BA 
TecnologiaA irrigação (na foto, em melancia) permite o aumento da produtividade e da qualidade das frutasA Fruticultura mecanizada e irrigada está modificando o cenário agrícola de uma faixa de 400 quilômetros ao longo do Litoral, entre o Sul da Bahia e o Norte do Espírito Santo. As áreas com pastagens improdutivas onde exitia uma pecuária de baixo desfrute, e a monocultura do café, cederam lugar aos pomares de mamão papaia, coco-anão, melancia, maracujá, limão, graviola e goiaba.
A região já se consolidou como a maior produtora de mamão papaia do Brasil, conseguindo por isso conquistar os mercados exigentes do Sul do País e da Europa. Estima-se um plantio de 15 milhões de pés de mamão papaia por ano, numa área de 13.000 hectares na Bahia e 6 milhões de plantas no Espírito Santo, numa área de 8.000 hectares.
VantagensAs vantagens da região são o clima quente e seco, solo areno-argiloso, áreas planas e abundância de recursos hídricos que facilitam os projetos de irrigação e mecanização das lavouras, segundo os produtores. Só no município de Linhares, região Norte do Espírito Santo 65 lagoas estão sendo utilizadas pelos produtores nos projetos de irrigação, informou o secretário municipal da Agricultura, João Calmon Soeiro. A irrigação eleva a produtividade e a qualidade dos frutos, tornando-os imbatíveis na preferência do mercado consumidor.
Mamão papaia, uma das novas riquezas do Litoral Sul da Bahia, e Norte do Espírito Santo
A fruticultura impulsionou a economia da região - cada hectare com frutas gera emprego para duas pessoas o ano todo. Calmon calcula que 20.000 pessoas estão trabalhando na fruticultura em Linhares. Na Bahia, o município de Teixeira de Freitas, hoje com uma população de 120.000 pessoas desenvolveu-se com a atividade.
A fruticultura floresceu na região a partir de projetos das cooperativas Agrícola de Cotia e Sul Brasil que atraíram centenas de produtores paranaenses e, principalmente, paulistas da cidade de Monte Alto que vinham acumulando prejuízos com o plantio de mamão. O mosáico da fruta dizimou os pomares da região paulista, conta o produtor e comerciante Lincoln Katsumi Yamada. Ele é oriundo de Tupã, no Oeste de São Paulo, e afirma que não pretende voltar. Segundo Yamada, na Bahia um pé de mamão papaia produz 30 quilos por ano e cada hectare comporta entre 1.300 e 1.500 pés de mamão. Isso justifica seu entusiasmo pela terra, afirma. Seus planos incluem novos investimentos na região Norte de Minas Gerais, onde o Governo está incentivando a fruticultura na região de Jaíba.
Trabalhador na colheita de coco anão. A fruticultura substitui pastagens degradadas e cafezais improdutivos
Esses produtores se instalaram na região, mas não investiram na compra de terras, apesar do preço atraente. Atualmente o preço da terra está avaliado em R$ 4.000,00 o alqueire goiano (48.400 metros quadrados). A maioria investiu recursos próprios na tecnificação da lavoura e optou por arrendar as terras. Esse sistema beneficiou também os pecuaristas da região: quando eles pegaram as terras de volta, os solos já estavam corrigidos pelo volume de adubo colocado na fruticultura. Com isso a pecuária voltou a ser produtiva, e o Sul da Bahia se destaca por ter o maior rebanho de pecuária de corte do Estado. Esse processo caracterizou a transferência de tecnologia dos produtores paulistas e paranaenses aos produtores baianos, que depois de verem os lucros obtidos com a fruticultura, também começaram a investir na atividade.
Albari RosaMaracujá, outra opção
MecanizaçãoO desenvolvimento da região atraiu a atenção das multinacionais de máquinas. Só a New Holland, que afirma ter 30% de participação no mercado regional, comercializou 60 máquinas este ano, informou Osmani José Tardiolli, gerente da concessionária local. A empresa está acompanhando a evolução da região e oferece ao produtor uma linha especial de tratores, com aplicação adequada à fruticultura, facilitando as operações de mecanizadas como pulverização e colheita.
CocoO produtor Ari Alvaro Frizzera é conhecido com o rei do coco em São Mateus, Norte do Espírito Santo. Há oito anos na atividade ele produz entre 800 mil e 1 milhão de frutos por mês, e pretende produzir 4 milhões de frutos por mês em três anos. Para isso está aumentando a área de produção, de 500 hectares para um total de 1.200 hectares de coco anão.
O excesso de produção de coco na região não assusta o agricultor, nem vai frustrar seus planos de expansão. Ele confia na qualidade de seus frutos e afirma que não perde para ninguém no tamanho do coco que coloca no mercado e no sabor e quantidade de água em cada fruto - o peso médio de um coco de sua propriedade é de 2,3 quilos e tem um volume de água 70% a mais do que outros frutos, com uma média de 600 ml por fruto.
Frizzera explica a diferença: é que os demais produtores tratam o coco como árvore nativa, enquanto ele investe na lavoura, para atingir um padrão de produção, a começar pelo sistema de adubação e irrigação. O produtor não descuida dos tratos culturais, para controlar as dezenas de pragas que perseguem os coqueiros. Ele afirma que são 48 pragas. As piores para as plantas são as brocas que atacam o fruto, o pendúculo floral e uma que se instala dentro do coqueiro. Também apontou os ácaros branco, vermelho e rajado, e a cochonilha como pragas de difícil controle.
Vânia Casado e Albari Rosa viajaram a convite da New Holland.


