A nova carne brasileira
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sábado, 08 de dezembro de 2012
Ricardo Maia <br> <br> Reportagem 
Conseguir um acréscimo no preço da arroba do boi na hora da venda para o frigorífico é o sonho de todo e qualquer pecuarista. Isso já é uma realidade para muitos produtores que resolveram investir na produção de carnes mais macias e suculentas. Com o apoio da engenharia genética, aliada a um bom manejo alimentar dos animais, muitos criadores conseguem um incremento de até 16%, dependendo da região, no valor recebido pela arroba, que nessa semana ficou na casa dos R$ 97 no Paraná. Antes direcionada principalmente para o mercado externo, as carnes ''nobres'' têm conquistado cada vez mais o paladar do brasileiro, puxando uma nova tendência para o setor.
No Paraná, apesar da pecuária ter perdido espaço nos últimos anos para a produção de grãos, o mercado de carnes nobres vai na contramão dos pessimistas que dizem que o setor não se levanta mais. Com a inserção do gado europeu, o Estado tem se profissionalizado nesse tipo de produção. Só neste ano, o setor deve movimentar no Estado mais de R$ 167 milhões. Ao todo, a média de crescimento do segmento tem sido de 5% ao ano. E tem quem invista na pecuária. Um exemplo é a cooperativa Cooperaliança de Guarapuava. Com o apoio de 82 integrados, a entidade tem investido em um programa de produção de carnes nobres.
Um deles é o criador Carlos Aguiar, que possui 1,2 mil animais de alta performance na região de Cândido de Abreu (Vale do Ivaí). Por meio do cruzamento industrial com raças europeias, aliado a um manejo adequado, Aguiar produz uma carne com alto índice de marmoreio (camada de gordura entre músculos) e elevada qualidade de fibra. Hoje ele chega a receber em torno de R$ 10 a mais por arroba. O produtor começou com o projeto em 2005, quando comprou 16 touros de raças europeias, principalmente Angus, na exposição de Londrina. ''A partir daí comecei a fazer o cruzamento industrial'', explica.
Com o objetivo de obter animais com bom índice de rusticidade, mas ao mesmo tempo com um alto grau de acabamento de carcaça, Aguiar começou a cruzar gado Nelore com Simental, obtendo bons resultados de qualidade de carne. Posteriormente, ele começou a trabalhar com a raça Angus pelo sistema de Inseminação por Tempo Fixo (IATF). O resultado, conta ele, foi surpreendente, principalmente no que diz respeito ao tempo de terminação. ''Antes do cruzamento abatíamos os animais com dois anos, mas com o programa de inseminação e um manejo adequado, os animais podem ficar prontos para o abate em até 14 meses, dependendo do caso'', comemora.
Aguiar destaca que para chegar a esse nível de precocidade com qualidade de carcaça é necessário um bom manejo nutricional e principalmente uma boa genética. O produtor completa que com a inserção da raça Angus na pecuária brasileira, a qualidade da carcaça aumentou significativamente. ''A carne do Angus é mais fácil de ser trabalhada, a maciez é garantida em todos os cortes'', expõe. Segundo ele, o Angus é uma das principais contribuições para a pecuária brasileira nos últimos anos.
Alexandre Turquino, presidente da Associação Nacional dos Produtores de Bovinos de Corte (ANPBC), afirma que especificamente no Paraná, as terras estão muito caras, o que inviabiliza a implantação da pecuária extensiva.''Hoje, se a produção não for de qualidade, não vale a pena trabalhar com pecuária'', destaca. Segundo ele, o Paraná continuará a investir na produção de carne de qualidade.


