A máquina para o produtor é como a caneta para o jornalista
O agricultor Gil Norberto Barbieri, de Sertanópolis, adquiriu, em parceria com o pai, o irmão e os primos, o primeiro trator, um Valmet, em 1974. Animada com os bons resultados do cultivo de grãos, a família comprou um novo trator da mesma marca em 1984, além da primeira colheitadeira John Deere, na época SLC. Dois anos depois, os produtores adquiriram o terceiro Valmet e, em 1993, trocaram o primeiro trator por um modelo atualizado.
Barbieri conta que a frota, até então composta por três tratores e uma colheitadeira, foi dividida entre os membros da família em 1997. Ele teve que recomeçar com apenas um trator e uma colheitadeira. Em 2000, investiu em mais um trator e, durante o período das vacas gordas, em 2004, completou a frota particular com um novo Valmet, agora Valtra, e uma nova colheitadeira John Deere.
Confiança no produto, amizade com os vendedores e garantia de assistência técnica foram os fatores decisivos na escolha das marcas, enumera o agricultor. Desanimado, ele lamenta ter de prorrogar o pagamento da nova colheitadeira em função da crise. ''Dói e dói muito no bolso. Você perde o gosto de trocar de maquinário'', desabafa. Em 47 anos vividos no sítio, ele nunca viu uma crise tão acentuada. ''Se dependesse do grão passaria fome'', lamenta.
Em parceria com o irmão Edson, 45, Barbieri cultiva 120 alqueires de grãos, 100 deles arrendados. A família aposta ainda na diversificação para sobreviver. A propriedade de 36 alqueires produz frango, porco, leite, café e laranja. ''O frango é que sustenta a casa hoje'', afirma o agricultor.
Apesar dos problemas financeiros, Barbieri encara o cuidado com os maquinários como um investimento, por isso realiza revisões periódicas a cada safra. ''As máquinas têm que estar revisadas porque a lavoura não espera'', alerta. Ele mesmo faz a regulagem dos equipamentos e quando precisa de peças novas, busca nas concessionárias. ''Como a caneta é ferramenta do jornalista, o maquinário é instrumento de trabalho do agricultor. A gente precisa se sentir bem em montar nele para trabalhar legal'', resume. (M.G.)





