A cadeia produtiva da mandioca está entrando na sua melhor fase desde o início da industrialização, em meados do século passado. A indústria de amido está de olho nas indústrias de papel e papelão. O setor alimentício prevê crescimento dos itens tradicionais como embutidos, massas e biscoitos, mas tem como certa uma substancial participação no programa social do governo. E ainda prevê incremento nas exportações para a Europa.
A redução da oferta de matéria-prima este ano (após queda de preços motivada pelo excesso de produção na safra anterior) é considerada ''acidente de percurso'' por empresários do setor. A Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (Abam), estuda fórmulas visando o equilíbrio entre produção e demanda e que atenuem o impacto sazonal. Uma saída é a expansão planejada das fecularias que deverão programar sua produção de acordo com a capacidade instalada e a matéria-prima disponível, firmando contratos de garantia de preços mínimos fixados hoje em R$ 60,00/tonelada.
Na avaliação do presidente da Abam, Maurício Yamakawa, o setor de amido vive hoje um momento de euforia por produzir 750 mil toneladas ano passado, volume 30% maior que o de 2001 (575 mil t). Se comparada à produção de 10 anos atrás (200 mil t), o crescimento foi de 265%.
''O importante é que o setor conseguiu crescer em produção, com preços remuneradores para o campo, o que evidencia que existe mercado e que o amido de mandioca é competitivo'' - afirma Maurício Yamakawa, para quem - segundo sua assessoria - o setor nunca viveu momento tão favorável.
O presidente da Abam tem por base a evolução dos preços da raiz refletido no amido. Durante o período da safra, entre maio e outubro, o preço médio da tonelada da raiz foi de R$ 45,00. Hoje gira em torno de R$ 110,00, aumento de 144%. O preço da fécula variou da média de R$ 350,00 por tonelada no período da safra para R$ 800,00 a tonelada hoje (+128%).
A boa perspectiva para 2003/04 está baseada na evolução em 2002, ano que pode ser considerado divisor de águas na história da atividade. O setor se fortaleceu. Houve uma mudança de consciência do industrial que passou a se preocupar mais com a produção, a busca de mercados estáveis e a competitividade, segundo Yamakawa.
Na semana passada, empresários do setor discutiram em Paranavaí, no Noroeste do Paraná, o diagnóstico sobre o desempenho de 45 fecularias, feito pelo consultor de agronegócios Olivier Vilpoux. Uma das conclusões aponta crescimento do tamanho médio das indústrias nos últimos seis anos. Essas indústrias se concentram basicamente no Noroeste do Paraná.
O estudo sobre crescimento mostra que em 1996 poucas empresas produziam mais de 10 mil toneladas de fécula por ano em uma unidade. Em 2001/02, pelo contrário, poucas produziam menos do que isto.
Outra conclusão do estudo é que em 1996 as indústrias utilizavam, na maior parte do seu tempo, menos de 50% da capacidade instalada, e a maioria delas trabalhava entre oito e 10 meses por ano. Já em 2002 houve uma evolução acentuada com o uso de mais de 50% da capacidade instalada durante 10 e 12 meses no ano.
Hoje a maioria das empresas fica parada apenas um mês no ano, tempo suficiente para revisões, limpeza e reparos no equipamento. O estudo apurou ainda que a maioria das indústrias quer investir na produção de amidos modificados. Algumas estudam parcerias com multinacionais que já têm mercado para o produto. É muito amplo o emprego do amido com matéria-prima em diferentes tipos de indústrias, fora do setor alimentício.

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