A isca do lucro
Mesmo a tilápia sendo predominante na região de Londrina, há produtores que estão investindo em outras espécies como o lambari e já pescam bons resultados. André Cunha, produtor da espécie em Patrimônio Selva, zona rural de Londrina, está na atividade há um ano e meio e se diz satisfeito com o retorno que a atividade oferece. Na propriedade de 53,3 hectares, Cunha deverá produzir neste ano 800 mil animais, 200 mil a mais do que no ano passado.
A meta do produtor para o próximo ano é ampliar a sua produção para 1,2 milhão de lambaris. ''Vi nessa espécie uma oportunidade de negócio porque além de ser economicamente mais lucrativo do que a tilápia, o custo de produção é muito baixo. Isso acontece porque a criação se dá naturalmente, pois não é necessário muita intervenção humana no processo produtivo'', explica Cunha.
Segundo ele, em tanque escavado não tem peixe que se adapte melhor do que o lambari. Além disso, acrescenta Cunha, a espécie serve como um marcador ambiental, porque só sobrevive em ambientes aquáticos saudáveis. Por causa disso, os cuidados com a higiene dos tanques e a qualidade da água são rigorosos. Para garantir uma produção saudável, um dos únicos cuidados do produtor é a limpeza periódica dos tanques.
Ao todo, são diversos tanques de diferentes tamanhos voltados para cada fase do processo produtivo. Hoje a produtividade do criador, em 1 mil metros cúbicos, é de 25 mil lambaris. No tanque berçário, onde o ciclo se inicia, cada fêmea posta 3 mil ovos, desses 20% conseguem desovar. O ciclo produtivo do animal é anual. Isso, segundo o produtor, é um gargalo do setor, já que o abastecimento de animais adultos para o mercado tem que ser constante, para não quebrar a atividade.
Entretanto, Cunha diz que resolver esse problema é fácil, pois só é preciso planejamento e um manejo adequado. Junto com Joel Galdino, seu gerente e ''braço direito'', durante todo o ano organiza em alguns tanques a cruza dos animais em períodos diferentes. Por causa disso, nunca faltam lambaris no período fora do ciclo, que acontece nas épocas mais frios do ano.
De acordo com o criador, o tempo para o abate do animal desde o nascimento, no verão, varia de 120 a 150 dias, no inverno, esse período é ampliado para 200 dias, devido a um processo de desenvolvimento mais lento dos animais. ''De abril a outubro não tem como eu repor totalmente o estoque, porque tenho que respeitar o ciclo natural, mas com um manejo adequado em diferentes períodos, consigo ter peixe o ano todo'', explica.
Cerca de 95% da produção é direcionada para o mercado de isca de toda a região noroeste do Paraná, o que inclui os mercados de Arapongas, Cornélio Procópio, Primeiro de Maio, Maringá, entre outros. Com apenas seis funcionários, chefiado por Joel Galdino, Cunha consegue obter uma boa produção e um retorno de mercado favorável: o custo de produção de cada animal sai para ele por R$ 0,11 e é vendido a R$ 0,15 a unidade. (R.M.)





