Elemar Voll
Dionísio Gazziero
Fernando Adegas
Alexandre Brighent

A introdução de pastagem em milho e soja mostra-se promissora

Muito se fala sobre a introdução da cultura da soja em áreas de pastagens com o objetivo de aumentar a capacidade de lotação de gado, num sistema de integração lavoura-pecuária. O estabelecimento desse sistema de manejo depende de vários fatores relacionados, como o controle de plantas daninhas. Sabemos que diferentes sistemas de manejo aplicados à cultura da soja podem contribuir para a sustentabilidade do empreendimento ou proporcionar gradual declínio da produtividade e degradação do meio ambiente.
Atualmente, sistemas de pastoreio extensivo usados para a criação de gado, em áreas de solo menos privilegiadas em termos de fertilidade, devem entrar num sistema agropecuário combinado para melhorar as condições de produtividade dos animais.
Um sistema trigo-soja-pastagem de gramíneas, por exemplo, poderá prover
uma maior capacidade de lotação de gado por área. Um sistema sustentável começa com a incorporação de corretivos e fertilizantes no solo, estabelecendo-se a seguir uma cultura de inverno (trigo/aveia) e, posteriormente, soja em semeadura direta. A semeadura direta minimiza os impactos ambientais negativos em áreas agricultáveis, conservando o solo, reduzindo a erosão e aumentando a disponibilidade de água para as culturas. O cultivo da soja, nesse sistema, tem proporcionado maior tempo de cobertura do solo e melhorado suas condições físicas e químicas, estabilizando e incrementando o nível de matéria orgânica.
Sabe-se que a palhada tem a propriedade de reduzir a temperatura e a passagem de luminosidade para o solo e, assim, reduzir a emergência das plantas daninhas, com redução do uso de herbicidas.
Além disso, a decomposição da palhada produz ácidos orgânicos (ferúlico, cumárico, cafêico e outros compostos alelopáticos) que impedem o estabelecimento das plantas daninhas. Por sua vez, o trigo e a aveia também são capazes de produzir substâncias alelopáticas que, eliminadas na zona das raízes, reduzem a emergência de plantas daninhas.
A combinação desses efeitos, produzidos em diferentes épocas de desenvolvimento e morte de culturas estabelecidas, resulta numa intensa destruição do banco de sementes de espécies daninhas no solo, juntamente
com a ação de insetos e fungos predadores dessas sementes. Embora as reduções do banco de sementes possam ser intensas, as emergências ocorrem proporcionalmente em menor intensidade no sistema direto do que no convencional. Isso ocorre a ponto de, economicamente, ser necessário controlar as plantas daninhas no sistema de semeadura convencional e não em semeadura direta. A menor sobrevivência de bancos de sementes em semeadura direta é facilmente constatada por agricultores que usam herbicidas pós-emergentes de plantas daninhas e que se beneficiam da redução das necessidades de controle.
A inclusão da pastagem no sistema de rotação de culturas promove a economia do uso de herbicidas, usualmente aplicados em culturas anuais. Resultados de pesquisa indicam que a inclusão da pastagem com duração de quatro a cinco anos, por exemplo, pode eliminar espécies como amendoim-bravo (Euphorbia heterophylla) e picão-preto (Bidens pilosa), ambas com alta capacidade infestante, mas com baixo período de sobrevivência. Observamos também que o controle de gramíneas, como o capim-marmelada (Brachiaria plantaginea), apresenta menor período de sobrevivência em semeadura direta, (estimado em cinco anos e meio), quando comparado ao sistema convencional (12 anos). Isso na ausência de reinfestação. Inclua-se a trapoeraba (Commelina benghalensis), que apresenta períodos de sobrevivência bastante longos e com dificuldades
de controle químico, que tem apresentado menor sobrevivência, quando
usada nesse sistema.
Evitando-se, ainda, a sementação da gramínea, através de manejos de
pastoreio ou corte adequados, se evitará ou reduzirá o problema com a sua reinfestação, além da supressão e ocorrência de baixas infestações de outras espécies de plantas daninhas, na cultura seguinte de soja. Acrescentando mais vantagens ao sistema, com o estabelecimento de uma pastagem de gramíneas, visualiza-se a possibilidade de contornar problemas de resistência de espécies de plantas daninhas, introduzida pelo uso continuado de herbicidas com o mesmo mecanismo de ação. Existem possibilidades, também, de fazer uma agricultura orgânica nessas áreas. A implantação do sistema trigo-soja-pastagem é grandemente favorecida com a redução/eliminação de uso de agroquímicos, como herbicidas, inseticidas e fungicidas, em função da redução dos respectivos agentes de desequilíbrio no meio ambiente.
O sistema de introdução de pastagens, em culturas de milho, soja e outras, conhecido por Sistema de Manejo Santa Fé", tem se mostrado promissor em algumas situações pesquisadas, podendo ser um modo de fazer introduções de pastagens.
Portanto, a proposta da sequencia de culturas, baseada em semeadura direta de culturas como trigo-soja e de pastagem, não só atende aos anseios econômicos, mas também ao controle de plantas daninhas e de uma agricultura racional, de auto-sustentação, de alta produtividade e tão livre quanto possível do uso de insumos que atentem contra a produção de alimentos saudáveis.

mockup