A (In) dependência programada - Robson José Curty
A (In) dependência
programada
Robson José Curty
Um ardiloso processo se desenvolve diante da nossa nosciva passividade, no que está consolidando também uma perversa e permanente dependência técnica. E a sociedade numa patológica perplexidade, não vem se manifestando, ficando numa posição próxima de um pateta.
A proliferação do bizarro, da impunidade, do cassino das loterias, da banalização da violência e da venda de fé formam o shopping do consentimento oficial deixando uma maioria com estes artifícios: alienada, anestesiada, incrédula e sem instrumentos efetivos para reagir diante dos fatos merecedores de sua atenção. Boa parte dos meios de comunicação procuram não enveredar para o tema em questão frente suas conveniências. Passando para outro prisma do assunto, toda produção de grãos destinados às espécies humana e animal estarão, em breve, nas mãos de 3 a 4 mega empresas. Até aonde irão as consequências desta indecente e pegajosa concentração de poder? Quando os nossos ditos representantes estarão colocando seu posicionamento comprometido perante aos fatos e a comunidade que o criou ? Porque países mais desenvolvidos estão pondo obstáculos ao aceite comercial dos grãos transgênicos?
Hoje o Brasil está em segundo lugar ora em terceiro lugar no ranking dos maiores produtores de carne avícola. No entanto, toda a retaguarda deste processo produtivo, desde a genética das aves até aos insumos sofisticados, estão em mãos e quintais adversos da nossa decisão política e comercial. Idem para a suinocultura. Também já caminhamos, rapidamente, para a extinção das nossas raças bovinas, via introdução indiscriminada de raças exóticas/sintéticas e no fomento aos cruzamentos ditos industriais. Não diferente, está o setor vegetal com a substituição iniciada aos excelentes cultivares desenvolvidos pela pesquisa oficial.
O que sinalizamos está explicitado nas recentes megafusões entre empresas do ramo agroquímico com o setor de sementes. É a inteligente vinculação de uma variedade, desenvolvida para responder, de modo positivo e exclusivo a moleculas, igualmente, patenteadas.
Até onde vai o poder de isenção dos que advogam competência técnica para se manifestar? Quando boa parte desta proficiência tem uma mentalidade colonizada a souvenirs, prêmios, espelhinhos, bolsas de estudos, viagens, miçangas e promoções.
O engessamento do nosso querido Brasil não é de hoje, como comprova um trabalho intitulado: Da Amazônia ao Pacífico, cruzando os Andes de Enrique Amayo Zevallos. Revista Estudos Avançados 7(17)1993, páginas 117 a 165, onde ficam claras as razões porque o Brasil até hoje não conseguiu uma saída para o Pacífico e o rico mercado asiático.
Boa parte dos patrícios, como prepostos internacionais, estão sempre em evidência, utilizando sua boa eloquência e palavras de efeito para justificar a expropriação da carne, alma e dos anseios nacionais. A pretexto de que as fronteiras como: deixamos de rir para a nossa própria desgraça, se comprometer com o País, sentir orgulho a despeito de todo tipo de iniquidades em vigor, dar o próprio exemplo antes de cobrar do próximo, Com isto restabeleceremos a curto prazo, nossa auto estima e respeito alheio. Isto não é sonho, é uma questão de sobrevivência digna.
O autor é médico veterinário em Maringá





