A importância social da seda
A importância social da seda
Walter Olivatti
EmpregosA sericicultura gera empregos e divisas, mas a produção do bicho-da-seda passa dificuldadesA sericicultura como atividade se constitui em excelente opção social e econômica, principalmente como alternativa de diversificação das pequenas propriedades rurais, com renda mensal. Na safra 95/96 o Brasil alcançou uma produção de 15.368 toneladas de casulos verdes, sendo o terceiro maior produtor mundial. O Estado do Paraná contribuiu com 81,76% da produção no período, distribuídos entre seus 223 municípios produtores, com destaque para Nova Esperança, que responde por 15,10% da produção nacional.
A sericicultura é ainda uma atividade com grande potencial de geração de empregos no meio rural, fixando o homem no campo. No Brasil a criação do bicho-da-seda gera pelo menos 52 mil empregos diretos, sendo mais de 40 mil apenas no Paraná e pelo menos 5.500 no município de Nova Esperança. O faturamento bruto anual com a atividade chega a US$ 130,6 milhões.
Nova Esperança pode ser tomada como retrato da sericicultura. O município possui em atividade 1.524 produtores e uma área de 5.147 hectares de amoreiras. A sericicultura representa o maior VBP (Valor Bruto do Produto) do município, com 35,84%. Nova Esperança representa hoje 55,56% da produção de casulos verdes da região de Maringá e 19,30% do total alcançado a cada safra dentro do Estado.
A vantagem da sericicultura é a adequação da atividade para as pequenas propriedades, sempre aliadas a outras culturas e criações de subsistência e comerciais. Devemos destacar ainda a grande geração de empregos da sericicultura, que garante a colocação de mão-de-obra durante o ano todo, fixando o trabalhador rural no campo, garantindo uma receita mensal na propriedade, controlando a erosão, gerando divisas por ser um produto de exportação, não apresentar riscos de poluição por não utilizar agroquímicos, e estar adequada às condições da região.
Mas existem as dificuldades, assim como ocorre em qualquer cultura. A começar pelo preço pago pelo casulo verde, muitas vezes longe do custo de produção. Existe ainda a dificuldade do produtor em conhecer o processo de comercialização de casulos e fios de seda, bem como seus subprodutos. Nos últimos anos registramos uma alta rotatividade de empregados, com a entrada de mão-de-obra sem qualificação, o que acaba prejudicando todo o segmento devido à falta de um manejo adequado das lavouras e criações.
Destacamos ainda a falta de financiamento compatível com a necessidade do sericicultor, e a descapitalização do produtor, refletindo na decadência das amoreiras devido à impossibilidade de reposição das condições de fertilidade do solo. Falta ainda um trabalho de pesquisa em todo segmento.
Para melhorar este quadro, as associações de sericicultores querem o mínimo necessário para garantir a atividade. Entre as principais reivindicações estão linhas de crédito rural compatível com a atividade, pesquisa, assistência técnica e capacitação profissional dos criadores, fiscalização sanitária mais atuante, padronização e classificação mais justa e organização do setor produtivo. Hoje milhares de empregos em todo o Brasil dependem de apenas algumas mudanças no setor, o que com a união de todos os envolvidos será possível alcançar.
O autor, especialista em sericicultura, é técnico agrícola e extensionista da Emater em Nova Esperança





