A hora e a vez dos tomates de Faxinal
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sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
O bom momento do tomate nos últimos dois anos tem despertado o interesse de produtores em Faxinal. O cultivo da olerícola é favorecido pela temperatura amena da região, bem servida de rios que garantem a irrigação dos canteiros conduzidos principalmente em estufas (cultivo protegido). A região já tinha tradição na produção a campo, entretanto, a boa ocorrência de chuvas tornou-se um problema. ''Chuva demais provoca mais doenças'', explica o gerente municipal da Emater, Flávio Jedneralski, que é técnico em agropecuária.
Com isso, a produção em campo aberto praticamente desapareceu. Há no município hoje aproximadamente 800 estufas conduzidas por cerca de 600 pessoas - entre produtores e meeiros. Segundo estimativa da unidade da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), instalada na cidade, a produção das duas safras anuais deve chegar a 1,6 milhão de caixas de tomate (com peso médio de 22,5 quilos).
O preço estável do tomate, acima de R$ 20,00 por caixa, é na verdade o principal motivador da cultura, pois tem garantido rentabilidade superior a de outros produtos. Pelos cálculos do técnico da Emater, cada estufa pode resultar em um lucro superior a R$ 12 mil por colheita. O clima do município permite ainda que a produção chegue ao mercado mais cedo que o de outras regiões tradicionais na cultura.
Atento a esta lucratividade, o casal Ademir e Maria Zuleica Gimenes trocou o segmento de transporte de cargas pela produção de tomates. Eles conduzem atualmente 16 estufas em duas propriedades. Em metade delas o modelo adotado traz tecnologias mais modernas: estufas mais altas (melhor ventilação), e o uso de equipamentos de irrigação e pulverização quase que automatizados.
Em cada fileira utilizou-se o sistema adensado com o plantio de dois tomateiros em distâncias menores entre plantas (30 centímetros) e o aproveitamento de uma única guia (galho de produção) com oito a nove pencas. O modelo tradicional é de 60 centímetros entre plantas e duas guias com até 14 pencas. ''A produção tende a ser só de tomates de primeira'', justificam. Os investimentos estão estimados em R$ 120 mil e devem ser pagos em três anos.
Na irrigação adotaram o sistema de fertirrigação, em que são adicionados fertilizantes na água, garantindo maior vigor às plantas. A variedade escolhida segue a dos tomates produzidos na região: o 'saladete', com cultivares do tipo italiano adequadas tanto para consumo in natura como para molhos. A primeira colheita deve iniciar-se até o final do mês, mas o casal não esconde a expectativa de uma boa safra. ''Não é uma atividade fácil, dá muita dor de cabeça, mas estamos cuidando para produzir o melhor'', destacam.
Ademir e Zuleica afirmam que a ''fama'' de qualidade dos tomates de Faxinal tem atraído também compradores de outros Estados, como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo.


