Considerada uma importante fonte de energia, sobretudo nos países pobres e em desenvolvimento, a mandioca pode também enriquecer a dieta dessas populações - calculada em 500 milhões de pessoas -, graças ao trabalho de melhoramento genético que aumenta teores de betacaroteno. A mandioca foi tema de encontro internacional, realizado recentemente na Bélgica.
No Brasil, onde é a nona cultura mais plantada, oito unidades da Embrapa se dedicam à pesquisa sobre o enriquecimento nutricional da mandioca. O processo, chamado de biofortificação, envolve também universidades, organizações não governamentais, os governos do Maranhão e Sergipe, prefeituras, creches e associações de produtores.
Tradicionalmente, a mandioca, sobretudo a branca, possui alto índice de carboidratos. A pesquisa tem como alvo aumentar os teores de micronutrientes, no caso da mandioca, atingir níveis consideráveis de betacaroteno, que no organimsmo humano se transforma em vitamina A.
De acordo com o pesquisador José Luiz Viana Carvalho, da Embrapa Agroindústria de Alimentos, no Rio de Janeiro (RJ), o objetivo é triplicar ou quadruplicar os índices de betacaroteno.
A pesquisa resultou em materiais como a Dourada e Gema de Ovo, que passaram de 4 microgramas/kg para 12 microgramas/kg. São mandiocas de polpa amarela, macias, pouco fibrosas, de sabor agradável, cozimento rápido e produtivas.
''O desafio é aliar o aumentos índices nutricionais com características agronômicas'', explica o pesquisador. Segundo ele, de nada adianta atingir bons teores nutricionais se não forem mantidas caracterísicas como produtividade, resistência a doenças e pragas.
As novas variedades de mandioca estão sendo testadas por 30 famílias nos estados da Bahia, Pernambuco e Ceará. Segundo o pesquisador, os resultados comprovam a superioridade dos materiais em relação aos tradicionais.
''É uma das vantagens da agricultura familiar. O agricultor vê os resultados e a partir daí vira o próprio multiplicador para outras famílias'', descreve Carvalho. Mas o processo requer perseverança porque o ciclo da mandioca dura de 11 a 12 meses.
A Embrapa Agroindústria de Alimentos busca também o melhoramento de outras culturas, como arroz, feijão, milho e feijão caupi para aumentar teores de ferro e zinco.
Pesquisadores se dedicam ainda ao desenvolvimento de uma batata-doce especial, cuja teor de betacaroteno deve chegar a 100 microgramas/kg. ''Será uma bomba pró vitamina A'', compara Carvalho.
Durante o encontro na Bélgica, a pesquisadora Marília Nutti, da Embrapa Agroindústria de Alimentos, coordenou a sessão Enriquecimento Nutricional e apresentou os avanços da empresa.
Pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília-DF) e da Embrapa Mandioca e Fruticultura (Cruz das Almas-BA) também apresentaram trabalhos.
Os estudos sobre a biofortificação da mandioca renderam para a pesquisadora Wania Fukuda, da Embrapa Mandioca e Fruticultura, o prêmio Frederico de Menezes Veiga/2008, pela sua longa atuação na pesquisa e na transferência de tecnologia com a cultura.
A pesquisa sobre a mandioca conta com o apoio dos programas HarvestPlus e AgroSalud que, entre os financiadores, tem a Fundação Bill Gates, o Banco Mundial e o Canadian International Development Agency (CIDA).

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