De pequenos é feito o agronegócio do Estado. Grandes, os números. São 373 mil propriedades, formadas na sua maioria por áreas menores de 50 hectares, que colocam o Paraná como o maior produtor de grãos do País. Mas não só. Daqui sai a maior produção de frango de corte, casulo de seda e erva-mate. Cana-de-açúcar, leite, mel, produtos orgânicos, seguem em segundo no ranking nacional e abrem caminho para carne suína, ovos e outros tantos produtos que juntos vão montando o quebra-cabeça da diversificação agropecuária do Estado.
Entre variações climáticas, oscilações de mercado e crises financeiras, a receita do sucesso para o bom desempenho do setor está diretamente relacionada às pesquisas desenvolvidas por institutos paranaenses públicos e privados, tecnificação e assistência técnica. ''É produtividade com qualidade. Um rótulo que temos que desfrutar'', ressalta Francisco Carlos Simioni, chefe do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
O valor agregado do produto paranaense, por exemplo, tem sido a atração em outros países. ''Os chineses estão vindo comprar trigo no Paraná porque a qualidade é alta'', cita. E é essa qualidade que tem sido a mola propulsora para o aumento da produção do grão no Estado e, talvez, do Brasil.
Simioni destacou que há um crescimento constante da produtividade do trigo no Estado nas últimas safras, principalmente entre os produtores que permaneceram na atividade depois da brusca queda dos anos 90. Há uma expectativa de que o Paraná volte aos mesmos patamares da última década, quando era auto-suficiente.
''Existe um movimento para que isso aconteça a médio prazo. E isso é possível'', frisa o chefe do Deral, lembrando que a lavoura de trigo ocorre basicamente em pequenas propriedades, mas com alta tecnologia. Na safra atual, que está em fase final de colheita, a expectativa é que a produção do Estado alcance 3 milhões de toneladas. Na última safra, a produção somou 1,95 milhões de toneladas.
Quanto aos outros grãos produzidos no Paraná, a produção tem sido equilibrada e varia conforme o clima e o mercado. O ponto forte, segundo Simioni, é a diversidade: quando uma cultura cai um pouquinho de produção, outra ganha. O milho, um dos produtos agropecuários de destaque no Estado, passou de uma produção de 14,26 milhões de toneladas na safra 2006/07 para 15,35 milhões de toneladas na safra 2007/08. A soja passou de 11,75 milhões de toneladas para 11,72 milhões e o feijão de 0,77 milhões de toneladas para 0,78 milhões, respectivamente.
O crescimento e o equilíbrio, segundo o Deral, estão relacionados ao movimento do mercado, que está aberto e propício, mas também à rotatividade de culturas, pesquisas e assistência técnica. Para crescer ainda mais e manter a tradição de maior Estado produtor de grãos, Simioni aponta a necessidade de instrumentos específicos de política agrícola, incentivo para a comercialização, disponibilidade de insumos e nível de segurança.

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