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Cana-de-açúcar é uma commodity ainda de grande representatividade no Paraná. Junto a essas áreas - tanto pequenas como grandes propriedades - a tradição de produzir cachaça de alambique vem de séculos no Estado, principalmente na região Litorânea, como em Morretes. Inclusive, registros históricos apontam que Dom Pedro II chegou a apreciar essa iguaria em visita a cidade, em meados de 1880.

Essa produção de cachaças, entretanto, já passou por altos e baixos. O Instituto Emater, inclusive, chegou a prestar assistência e criar eventos para os produtores num passado não tão distante. Hoje, o Paraná conta com 26 alambiques regularizados pelo Ministério da Agricultura (Mapa) e 133 rótulos registrados. Entretanto, estima-se que são pelo menos mais 80 que continuam produzindo cachaça artesanal em todas as regiões. Bebida da boa, de gente do campo com grande expertise, mas que não foi para os rumos comerciais pela dificuldade de regularização frente ao Mapa ou simplesmente porque não quis dar uma veia comercial à produção.

Mas a cachaça artesanal de alambique paranaense mostra potencial, mesmo com a concorrência forte de outros estados como Minas Gerais e São Paulo. No ano que vem, inclusive, a Emater vai promover a 1ª Mostra de Bebidas Artesanais do Estado, em Assaí (Norte), sendo a cachaça uma das protagonistas (leia mais nesta edição). A ideia é mostrar como o produtor paranaense é forte no segmento.

Fulgêncio Torres Viruel é proprietário da cachaça Porto Morretes e presidente do Sindicato da Indústria de Bebidas do Paraná (Sindibebidas-PR). A Porto Morretes é uma cachaça premium e está no mercado desde 2004. Em 2016 foi eleita a melhor cachaça do Brasil.

Torres conta que tem duas áreas na cidade litorânea, uma de 10 hectares e outra de 30 hectares, e uma produção de cachaça de 120 mil litros por ano. Desse montante, 80% é exportado para os Estados Unidos. Para atender a essa demanda, ele conta com dois produtores parceiros da região Oeste do Estado. “O potencial é muito bom, já chegamos a ter um número maior de produtores formalizados. A expertise muitos têm, cachaças de alambique no cenário nacional. Em Jandaia do Sul temos a cachaça Companheira, muito premiada. Na região do Planalto, a Matraga está voltando ao mercado. Na região de Londrina, a Terra Vermelha. Temos produção também em Bituruna e chegamos a ter dois polos de cachaça no Oeste.”

Como muitos produtores com potencial de registro do alambique são pequenos, o foco da cachaça paranaense não está em volume, mas em qualidade e diferenciação no mercado. “A tendência do setor é trabalhar com produtos premium. Cachaça de alambique de excelente qualidade para um mercado premium, essa é a tendência para o futuro. Para isso, é preciso a profissionalização dos alambiques, melhoria da apresentação do produto e a busca pelo cliente. Esse é o nosso futuro.”

Outro ponto é a exportação. Torres cita sua própria cachaça. “Muitos podem ir pelo mesmo caminho que eu segui. Tenho dois produtores no Oeste que auxiliam nessa produção para os Estados Unidos. O potencial de emprego no campo também é muito grande: um pequeno alambique com produção de 15 a 20 mil litros contrata em média dez pessoas ao longo do ano.”

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