O pesquisador Robert Fraley é convicto da importância da biotecnologia para o mundo e lamenta que muita gente ainda não entenda ou desconheça essa ciência. Para ele, é função de quem trabalha com a agricultura atuar de forma a cobrir a fome do mundo. "A fome nunca dorme. Quem trabalha com agricultura também não pode dormir", frisa. Fraley observa que é preciso usar a tecnologia disponível no mundo. "A descoberta de genes acontece a todo o momento e a base de dados dos bancos de germoplasmas no mundo é muito grande", enfatiza.
O pesquisador cita que hoje, com as pesquisas tão avançadas, é possível trabalhar mais especificamente o melhoramento. Agora, lembra Fraley, pode-se agregar até oito características em uma mesma semente. "No começo era apenas uma característica", relembra, citando a semente resistente a inseto.
Além disso, destaca que a tecnologia é algo muito mais amplo. "As máquinas são mais avançadas e, por meio do celular, está ao alcance das mãos do produtor informações sobre o clima", exemplifica. Para Fraley, é preciso levar informação para o agricultor, sentar com ele, conversar, apresentar os novos processos.
"É natural sentir medo do desconhecido", reforça Marc Montagu, sobre a dificuldade de se implantar a tecnologia, precisamente os organismos geneticamente modificados, em alguns países, entre eles os da Europa e da África. A ciência, segundo o pesquisador, precisa aprender a informar os benefícios da biotecnologia para as pessoas sentirem confiança. Neste sentido, acredita que o Brasil tem um papel importantíssimo porque aqui a tecnologia tem sido adotada com sucesso, com crescimento constante de produção, e pode ajudar a quebrar o preconceito sobre os materiais transgênicos mundo afora.
Para Montagu, está na biotecnologia o caminho para ajudar o agricultor, principalmente o pequeno, a ampliar os rendimentos com a lavoura e alimentar o mundo. Ele dá o exemplo de como o processo tem ajudado os produtores de algodão na Índia. "Duplicaram a produção, podem sustentar suas famílias, mandam as crianças para a escola, têm autossuficiência."
O desafio, na opinião dele, é levar informação para as pessoas. "Se não podemos usar a ciência por causa de crenças e ideologias, estamos com problemas", frisa o pesquisador, lembrando que as campanhas contra biotecnologia são feitas por pessoas que não querem ouvir os benefícios do processo.
Para Montagu, é muito difícil prever quais serão as novas tecnologias que serão desenvolvidas e aplicadas no meio agrícola, mas acredita que sejam as que têm relação com o estresse de água e que agridam menos o meio ambiente. (E.Z.)

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