A fêmea no centro das atenções
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sexta-feira, 11 de julho de 2003
Reportagem Local 
É o que sugere a experiência de 10 anos da Fazenda Triunfo, de Ortigueira, que se consolida na implantação de um projeto de produção de carne e genética, de dois anos, na Fazenda São Manoel do Triunfo, de Londrina.
Permeando essa estratégia, há toda uma tecnologia da integração lavoura e pecuária, desde a genética, passando por manejo, gerência e mão-de-obra especializada, que inclui trabalhos de médicos veterinários e engenheiros agrônomos.
As fazendas são de cria, de cruzamento industrial em Ortigueira e de produção de reprodutores e matrizes Nelore P.O, cria, recria e engorda na Fazenda São Manoel do Triunfo em Londrina.
Os bons resultados se expressam:
A) no alto índice de prenhez: 92%,
B) menor intervalo entre partos: 13 meses,
C) Envio mais cedo para o abate (novilho precoce) com animais abatidos em média aos 22 meses, 480 kg peso/vivo. (veja mais na página 8)
Todos esses índices estão acima das melhores médias nacionais.
Para chegar a esses indicadores, houve mudanças de conceitos e quebra de paradigmas. Tradicionalmente, a pecuária cuida bem da alimentação do boi, mas esquece a vaca. O grande negócio de uma fazenda de criação é a fêmea, que o empresário José Antônio Fontes, proprietário das fazendas, costuma chamar de ''fábrica de carne'' . Mas ele acrescenta que cada vaca, nesta ''fábrica'', tem que desempenhar bem o papel de ''reator'' dessa empresa; tem que gerar um animal todo ano. No caso das doadoras de embrião e receptoras elas têm que estar com boa condição corporal.
''O conceito da fazenda é fazer carne. Você pode ter a melhor genética, mas se as fêmeas não tiverem uma boa alimentação constante, o desempenho não é bom e o plantel não vai converter todo o potencial'' - afirma Fontes.
A Fazenda São Manoel do Triunfo tem 795 ha bem aproveitados. O planejamento dos piquetes e do rodízio do pastoreio proporciona alimento verde abundante. Nos piquetes de aveia, nesta época de inverno, estão as novilhas, vacas puras e receptoras de embrião com bezerro ao pé, bois em engorda, em lotes separados, manejados com cerca elétrica. As vacas do rebanho comercial estão em pasto de Tanzânia, Mombaça, Brizanta e Estrela Africana. Elas recebem feno feito durante o verão, de excedentes de baixo custo operacional, mas eficiente.
Atividade no inverno - A fazenda não interrompe o programa de coleta e transferência de embrião durante o inverno, mantendo o mesmo nível de produtividade.
Segundo Fontes e o médico-veterinário Arildo Padilha, não tem lógica fazer coleta apenas no período de setembro a março. As vacas, tanto as doadoras quanto as receptoras têm que estar em boa condição corporal durante o inverno porque aí você tem a sequência de nascimento de animais. Uma boa alimentação proporciona uma melhor formação ou manutenção do aparelho reprodutivo das fêmeas.
Para Arildo, o principal objetivo é melhorar a condição corporal das vacas a fim de que saiam para a estação de monta numa boa condição para entrar em cio, reduzindo o intervalo entre partos. Arildo também afirma haver uma correlação direta entre aparecimento de cio e a condição corporal da vaca. ''Para isso é que se faz todo esse trabalho de inverno'', diz.
A entrada das vacas na aveia este ano foi no dia 1º de junho. Elas vão ficar no pastoreio da aveia, enquanto houver disponibilidade de forragem e posteriormente vão receber o feno (em agosto) que está armazenado.
A vaca tem algumas prioridades, ela procura primeiro satisfazer a cria que está sendo gerada, depois a que está no pé e depois ela faz a sua manutenção e aí é que ela vai buscar a reprodução, entrando em cio.
''Se a gente não tiver cuidado para que ela entre em condição corporal adequada, ela não vai diminuir o período de serviço (tempo entre o parto e a prenhez), que é o que interessa economicamente'' - explica. É importante, segundo Arildo, que ela seja coberta no prazo (60 a 150 dias), após o parto e na sequência provoque o intervalo de parto mais curto. A grande pedida é a redução do intervalo entre partos.
Outro fator destacado pelo Arildo Padilha é a antecipação da cobertura nas novilhas, a idade do primeiro parto das novilhas. Se eu as levo na aveia durante o inverno e ainda auxilio com feno, elas continuam ganhando peso no inverno. Assim temos novilhas parindo entre 26 e 30 meses, o que é muito interessante.
Outra medida é com relação ao abate. ''Ao invés de abater animais com 36 meses eu consigo reduzir esse período para 22 meses'', garante.


