A fé que espanta até cobra
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sexta-feira, 15 de maio de 2009
Gisele Mendonça<br> Reportagem Local 
Foram cinco frangos, duas galinhas e um galo mortos em apenas um mês sem que ninguém descobrisse a causa. As aves apareciam intactas, apenas com um pequeno furo perto da cabeça. Foi o suficiente para surgir a suspeita. Seria cobra? Meses depois, um desses bichos foi visto perto da sede da fazenda, instaurando o medo.
Até que um amigo comentou sobre um benzedor conhecido na região e a família resolveu chamá-lo. Por meio das rezas, o homem espantaria as possíveis cobras do lugar para nunca mais voltarem. Na hora, dependendo do caso, os bichos passariam pelos pés do benzedor, dando o ar da graça para todos que estivessem ali. Entre crentes, descrentes e curiosos, lá foi um pequeno grupo acompanhar o ritual. A reportagem da FOLHA ficou sabendo e também foi para poder contar essa história.
Era uma sexta-feira de sol, perto das três da tarde. O benzedor pegou o rosário, deu um nó na ponta da camisa e iniciou a reza. O ritual seria feito nos quatro cantos da propriedade de 79 alqueires, no município de Arapongas, no sentido que corre a água das nascentes. Obedecendo esse princípio, as possíveis cobras existentes ali não seriam ''mandadas'' para a fazenda do vizinho.
Concentrado, o homem avisou que rezaria o ''Credo'' de trás para frente, porém, só em pensamento. A cada ponto, alguns minutos de reza e um novo nó na camisa. Os nós serviam para ''trancar'' os cantos onde as cobras pudessem estar. Lá no final, eles seriam desatados e os bichos levados pela própria natureza, por meio da água.
O ritual, nas palavras do bezendor, deixa os animais ''zonzos'', como se estivessem hipnotizados. Daí a explicação para o fato de não apresentarem risco para quem está por perto, caso apareçam.
Até então, ninguém tinha visto cobra alguma. E nada seria visto até o final do benzimento, que durou pouco mais de duas horas. Diante da curiosidade do grupo, o benzedor dizia ter achado, sim, cobras na propriedade.
Ali estavam uma jararacuçu-dourado, uma jararaca, uma urutu-cruzeiro e uma caninana. Mas dificilmente apareceriam porque estavam perto da água e ''não teriam força para subir''.
O homem também já se mostrava cansado. ''Benzimento para espantar cobra judia muito (de quem benze). É uma energia muito forte fazer esses bichos se mexerem'', dizia, antes de guardar o rosário.
''Só que a partir de agora ninguém precisa ter medo de andar por aqui, nem se preocupar com as galinhas e outras criações. As cobras não vão mais aparecer. E caso alguma ainda seja vista por esses dias, antes dela ir embora não se deve matar'', pedia, ''por favor'', o benzedor.


