Depois de uma semana de alta, o mercado da segunda-feira bem que poderia ser apenas discreto e praticar a chamada realização de lucros. No entanto, iniciou nova semana com forte alta, por conta, principalmente, das compras por parte da China.
O mercado continuou firme na terça e, na quarta fechou a US$ 8/bushel na Bolsa de Chicago. Os preços internos se mantiveram firmes, embora não faltassem motivos para atrapalhar seu fluxo normal. Além do câmbio comportado, houve polêmica por conta do tratamento político que vem sendo dado ao episódio transgênico.
A suspensão dos embarques poderia ter feito um estrago ao mercado que, no entanto, não deu importância ao fato.
A China teria importado mais 275 mil toneladas de soja a serem entregues na safra 2003/04, elevando para mais de 1 milhão as compras feitas em três semanas.
No Porto de Paranaguá, a paridade de exportação apontava para um preço referencial de R$ 50,50/sc para a soja com entrega imediata. O prêmio considerado nesta análise se refere ao vencimento de janeiro próximo e situava-se a 20 pontos acima de Chicago, informou a FNP. No Porto de Rio Grande, compradores apresentavam interesse ao redor de R$ 51,00. Em Rondonópolis, a saca de soja no mercado disponível era indicada a R$ 46,50, referente a negócios de maior volume. Na quinta e na sexta-feira o cenário não mudaria muito.
Alta no Porto - Na quarta-feira, a soja atingiu seu preço mais alto dos últimos anos no Porto de Paranaguá: R$ 49,50/51,00. Em Ponta Grossa, houve negócios a R$ 50,50 a saca. Houve poucos negócios, mas foi o maior indicativo de preços pelo lado comprador. Esses valores estão bem acima da média de preços e resultam de momentos de especulação, mas são indicativos de preços que entram nas estatísticas e puxam as médias para cima, observaram os corretores. Na interpretação dos analistas de mercado ''foi uma resposta rápida ao primeiro indício de alta nas cotações do contrato futuro de Chicago''.
A verdade é que há pouca oferta de soja porque há pouco produto disponível. É o crepúsculo da temporada de comercialização. E só há soja disponível porque o produtor paranaense está capitalizado e empurrou o milho a qualquer preço para fazer caixa, mantendo a soja. No Centro-Oeste, a realidade não é a mesma porque nos Estados centrais a comercialização atingiu mais de 90%.
O produtor vendeu bem, atingiu boas médias de preços, mas não está fazendo parte do agito do mercado nos últimos dias.
Preços internacionais à parte, a agitação da semana teve a influência de uma variável que não pertence ao mercado mas muda a atitude dos agentes da comercialização. Trata-se do caráter político da forma como vem sendo conduzida a soja transgênica. A suspensão dos embarques pelo Porto de Paranaguá ganhou repercussão no mercado. Outro fator que impediu o mercado de fluir livremente foi a entrada em vigor da lei estadual que proíbe a exportação de soja transgênica.

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