À espera do efeito da aftosa argentina
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sexta-feira, 12 de setembro de 2003
Cláudia Barberato<br>Reportagem Local 
Até agora, o caso de febre aftosa na província de Salta, no Norte da Argentina, ocorrido na semana passada, não teve reflexos no mercado do boi gordo brasileiro. Para as exportações, que já vinham em ascendência, ainda é cedo para julgar qualquer influência. A expectativa é fechar o ano com 1,3 milhão de toneladas, com 300 mil toneladas a mais do que em 2002.
Setores da cadeia produtiva de carne, no entanto, têm divulgado que o fato pode incrementar as exportações brasileiras, já que o Brasil é concorrente direto da Argentina.
Para o zootecnista da Scot Consultoria, Fabiano Rosa, o Brasil já tem mercados consolidados e a notícia do foco pode ser até prejudicial, não só para o País, mas para todo o bloco do Mercosul.
A visão do resto do mundo será de uma região suscetível, com um controle sujeito a riscos. Por isso, ele sugere que seja realizado um combate integrado por parte dos países do bloco. Do contrário o Brasil pode até correr riscos de perder mercados já consolidades e novos clientes.
A situação pode também afetar pespectivas do País de em 2005 se tornar o maior exportador de carne do mundo.
É preciso, segundo Fabiano Rosa, mostrar que o Brasil tem seu programa de controle e combate à febre aftosa. O fechamento das compras da Argentina foi uma atitude concreta.
Trezentos e trinta milhões de doses da vacina contra aftosa foram vendidas este ano no País e ainda ajudamos os países vizinhos, como Bolívia e Paraguai.
O Brasil está dois anos sem casos da doença, o Centro-Sul do Pará e Acre estão em vias de serem liberados como regiões livres de aftosa. Regiões do Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte já têm este status.
Dependendo dos procedimentos que serão tomados no caso argentino, a médio prazo, de acordo com Fabiano Rosa, é possível que a demanda pela carne brasileira seja incrementada. Caso isso aconteça, haverá reflexo no mercado interno, com um enxugamento do produto e possível reação de preços.
Por enquanto, o mercado interno trabalha com estabilidade. Em São Paulo houve alongamento das escalas devido a saída de animais de confinamento. Os frigoríficos trabalham com escalas de cinco dias; há algumas semanas eram apenas de três. No Paraná a oferta também está razoável.
Em São Paulo houve recuo de R$ 1 na arroba, de R$ 61 para R$ 60, mas o mercado, segundo Fabiano Rosa, já aponta dificuldade de compra. No Paraná o preço se mantém R$ 60. Segundo o analista a estabilidade deverá se manter por mais 15 ou 20 dias e depois tudo deve voltar ao ritmo de antes: falta de animais para atender escalas, voltando a pressionar o preço da arroba.


