A energia das florestas
O uso de madeira para a produção de energia é bem antigo. Porém, a extração dessa matéria-prima nem sempre foi vista com bons olhos por aqueles que se preocupam com as questões ambientais. A comercialização clandestina de madeira e o desmatamento ainda é uma realidade preocupante no Brasil que deve ser combatida. Porém, para indústrias, cooperativas e produtores comprometidos com a produção sustentável, o uso da madeira, por meio da floresta plantada, tem oferecido a esses investidores segurança energética.
De acordo com o presidente da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre), Carlos Mendes, 35% do consumo de madeira no Paraná, que chega a 35 milhões de metros cúbicos por ano, é voltado para a produção de energia. O representante da entidade acrescenta que o volume de madeira produzido no Paraná ainda é insuficiente para atender a demanda do mercado, mas que o Estado vem buscando incentivos para potencializar a produção de madeira. Ao todo o Paraná produz 30 milhões de metros cúbicos de madeira, tendo que importar 5 milhões ao ano. ''Temos condições de dobrar a nossa produção sem derrubarmos uma árvore, basta mais recursos'', elucida.
Mendes explica que o setor necessita de investimentos para implantar florestas em áreas degradadas. Segundo ele, o setor segue à risca a legislação ambiental, e, por isso, merece uma atenção especial. ''A cada 100 hectares de floresta plantada, temos que ter 80 hectares de área de conservação''. Ao todo o Paraná possui 850 mil hectares de floresta plantada. Hoje os principais destinos da madeira do Estado são a produção de papel e celulose, toras, compensados e energia. Segundo dados da Apre, cada hectare de floresta chega a produzir entre 20 e 40 toneladas de madeira.
Dificuldades
Mendes aponta que um dos principais desafios para o crescimento do setor no Paraná é o transporte da carga. Segundo ele, as estradas vicinais de escoamento são mal conservadas e dificultam o processo de extração e escoamento. Isso, por sua vez, eleva o valor dos custos de produção. ''A Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) já vem trabalhando em prol da atividade para trazer melhorias para as estradas'', reforça. (R.M.)





