Maria acorda às quatro da manhã, prepara o almoço e às sete vai para a horta. Ao meio-dia tem de parar o trabalho para dar atenção ao filho caçula, que ainda precisa de cuidados especiais. O marido ajuda na horta e fica com a parte da entrega e comercialização. A vida não é fácil para os produtores, mas já foi pior. Para entrar na atividade orgânica, Maria pagou cursos e assistência técnica. Chegou a desembolsar R$ 150 por cada visita de técnico, mesmo sem ter renda para isso. Ela diz que chegou a ser ridicularizada na cidade por insistir nos orgânicos.
Há cerca de nove meses, o programa do Tecpar garante consultoria gratuita à família. A área de horta é cercada com napiê e no entorno existe pasto, o que garante certa distância das lavouras que utilizam agrotóxico. ''Olhem, esta é uma típica horta que dizem ser de vagabundo'', brinca a produtora ao conduzir a equipe de reportagem por seus canteiros com mato.
Maria lembra que no começo foi difícil, pois morria muita planta e os produtos não saíam tão grandes e bonitos. ''Hoje, deixo a planta crescer, o mato crescer... Mudou muito a qualidade do meu solo e dos meus produtos'', valoriza
Ela prepara o solo com matéria orgânica e para afugentar os insetos utiliza extratos de Santa Bárbara e de pimenta. ''O principal problema é a cigarrinha, que suga a seiva do miolo da planta'', diz Maria. Para espantar os coelhos, que aparecem à noite para comer as plantas, a produtora passou a forrar partes do solo com jornal, só deixando as plantas de fora. ''Ninguém me orientou, mas deu certo. Onde tem jornal eles não comem'', constata.
Por ter implantado a produção alternada de variedades, Maria não consegue quantificar ao certo o quanto produz. ''Tiramos dez dúzias de cada tipo de alface por dia e já chegamos a colher de uma só vez 12 caixas (20 quilos cada) de abobrinha'', calcula.
Fortalecida e exibindo o certificado do Tecpar, a família de produtores agora vai à luta para provar aos comerciantes que tem um produto livre de agrotóxicos. ''A diferença é que agora podemos ir atrás de quem valoriza os nossos produtos'', comemora Maria. (G.M.)

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