Curitiba Outro perfil do produtor paranaense pode ser encontrado no agricultor familiar que enfrentou dificuldades para acompanhar a evolução tecnológica, que chegou ao campo nos últimos anos. Nesse estrato, pode-se encontrar os agricultores familiares periféricos, os de transição e os consolidados, observou o diretor da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Paraná (Fetaep), Jairo Correa de Almeida.
O agricultor familiar ''periférico'' é aquele que não teve capital para absorver tecnologias avançadas e ainda sobrevive da subsistência, com pouco excedente para vender. Esses agricultores concentram-se nas regiões mais carentes do Estado como a central, centro-sul e no Vale do Ribeira. Eles ainda plantam e colhem manualmente. E, na maioria das vezes, suas propriedades encontram-se em áreas mais acidentadas. Em geral, cultivam feijão, milho e hortaliças.
Entre esses agricultores, pode-se encontrar o que se chama de ''agricultura familiar de transição'', situação em que se encontram aqueles que estão reavaliando se ainda vale a pena largar tudo e se mudar para os grandes centros. Eles perceberam que as cidades não oferecem os empregos que tanto necessitam e condições de vida com dignidade. Por isso, ainda preferem ficar no campo, apesar das dificuldades de estudos para seus filhos, disse Almeida.
Por outro lado, já se pode perceber um outro estrato de agricultor familiar, que é o consolidado, disse Almeida. É o produtor que já recorre a equipamentos como tratores e colheitadeiras para o trabalho na propriedade. Geralmente faz parceria com os vizinhos e troca serviço por equipamentos, o que garante o aumento de produtividade em suas lavouras.
Além das culturas tradicionais típicas de pequeno agricultor familiar como feijão e milho, eles também se dedicam à produção de leite, com predomínio da ordenha manual feita pelas mulheres. Os mais consolidados já têm ordenhadeiras mecânicas e muitos conseguem retirar leite até duas vezes por dia. Geralmente, esse produtor procura ampliar o conhecimento em manejo de animais e pastagens, para elevar a produtividade.
Muitos dos agricultores familiares consolidados estão partindo para produções diferenciadas para aumentar a renda, como a agricultura orgânica, a produção de embutidos de suínos e derivados do leite. São pessoas que procuram se informar mais sobre os alimentos que produzem.
A grande maioria vive em áreas médias de dez a 20 hectares, com renda média que varia de 0,5 a 1,5 salário mínimo por mês. Nos municípios mais carentes, a renda principal é da aposentadoria e não da atividade rural, disse Almeida.

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