CortesiaBelezaCélio Francisco especializou-se na produção de crisântemos de vaso e corteProdutores de flores de várias regiões do Paraná querem incrementar e organizar sua produção, para conquistar o mercado regional, dominado em quase 90% pela produção que vem de São Paulo. Para oferecer plantas com qualidade, diversidade, assiduidade, preço e condições de pagamento, os floricultores resolveram se unir e fundaram a Associação Norte-Paranaense de Produtores de Flores e Plantas Ornamentais (Aflopar).
Entre os planos da Aflopar está o fortalecimento da atividade, através da busca de alternativas de crédito, assistência técnica especializada, incentivo a novos produtores para diversificação da produção, e criação de um centro de comercialização no atacado. Segundo o presidente eleito, Célio Francisco, a associação quer atender melhor os lojistas. ‘‘Como estamos mais perto do mercado consumidor, o tempo entre colheita e entrega será menor e os vasos terão uma durabilidade maior para quem compra’’, explica.
NovidadeNo Norte do Paraná a produção de flores ainda é uma atividade pouco difundida. Somente em 95, com o apoio da Emater de Londrina, é que alguns produtores puderam mostrar seu trabalho, participando da Via Rural, no Parque de Exposições Ney Braga.
Dorico da SilvaA orquídea é uma flor que leva de 3 a 4 anos para começar a produzir e tem comercialização diferenciada
De lá para cá, a evolução foi rápida. Este ano os produtores conseguiram, além do espaço na Via Rural, um bom local de comercialização, e o então presidente da Sociedade Rural do Paraná, Manoel Garcia Cid, comprometeu-se a ceder uma área para construção da sede fixa da associação.
Segundo Célio Francisco, a união através da associação possibilitará o repasse de ‘‘informações preciosas’’ para quem quer iniciar a atividade. Célio é produtor de soja, e há seis anos iniciou o cultivo de crisântemos de vasos e corte, na região de Arapongas. Ele conta que desde o início teve muito prejuízo por falta de informação. ‘‘Hoje, com a Aflopar, os interessados poderão ter informações e conhecer melhor a atividade, para não cometer os mesmos erros’’, alerta.
A primeira diretoria da Aflopar foi eleita no dia 21 de maio, em assembléia de fundação assinada por mais de 30 produtores. A diretoria tem a seguinte composição: presidente - Célio Francisco; Vice-presidente - Carlos Cavalcanti Kuhnlein; 1º Tesoureiro - Peter Elshof; 2º Tesoureiro - Rogério Minori Miura; 1º Secretário - Manoel Flois Coelho; 2º Secretário - Luiz Carlos da Silva. Conselho Fiscal: Sandro M. Takemura, Valdecir Cavinato Rosa e Elaine Sanches; suplente - Gilson Suzuki.
CréditoApesar de ser uma atividade propícia para pequenas áreas, predominando produtores com até cinco hectares em média, o cultivo de flores e plantas ornamentais exige investimentos. É necessário investir desde a implantação de estufas com sistemas de irrigação, até contratação de assistência técnica especializada e em sementes de boa qualidade.
Segundo Gervásio Vieira, extensionista da Emater que tem assessorado os floricultores, ‘‘o cultivo de flores e plantas ornamentais é uma opção de renda lucrativa, promissora e emergente para o Norte do Paraná, desde que se organize a atividade. Este é o objetivo da Aflopar’’.
Até agora, nunca existiu uma linha de financiamento específica para produtores de flores. Gervásio lembra que, no governo anterior, existia uma linha de crédito para plasticultura que pode ter beneficiado alguns floricultores. Mas ‘‘é necessário um apoio mais efetivo para a atividade se desenvolver na região e gerar empregos’’. Estima-se que a produção de flores gere em média 15 empregos por hectare.
A maioria dos proprietários de floriculturas de Londrina comercializam produtos de São Paulo. Segundo Ney José de Oliveira Machado Filho, proprietário de uma das mais antigas floriculturas da cidade ( o Mercado das Flores, que completa 30 anos), a produção local de flores poderia ser mais uma alternativa para os lojistas, e isto é bom. ‘‘Já comprei e compro flores de produtores locais quando há qualidade e oferta. Gosto de prestigiar a produção local, mas a atividade ainda tem muito a desenvolver, se quiser competir com São Paulo’’, diz Ney.
Luís Alberto, da Floricultura Shangri-lá, trabalha com flores há mais de 15 anos, mas até hoje nunca comprou nada produzido na região. ‘‘Se a produção local tiver qualidade e variedade, nos compraremos’’, diz ele.
Outros lojistas consultados disseram que desconhecem a produção local, e preferem comprar dos revendedores de São Paulo.
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