Alguns trechos da ''carta aberta'' que a Apac enviou ao Presidente Lula:
''A cadeia do agronegócio café gera riqueza e empregos, porém ela é compartimentada e seus elos são desunidos e desiguais. Hoje, os agricultores estão alijados do agronegócio, sendo instrumento do lucro da indústria e do setor de exportação.
''Não podemos assistir à pressão que alguns setores estão exercendo sobre o governo para que este protele ou abaixe os valores dos preços mínimos do chamado ''Leilão de Opções''.
''A cafeicultura é composta na sua maioria por pequenos agricultores que não podem ficar a mercê de poderosos. A alguns interessa que os preços do café continuem deprimidos.
''O preço do café é sensível a qualquer movimento e sofre sempre com a especulação através da Bolsa de Nova York. O governo tem que ser o ponto de equilíbrio do agronegócio café dando sustentação ao cafeicultor que está em situação precária.
''O Ministério da Agricultura tem que lutar pela sustentabilidade do produtor. Não podemos admitir que o senhor Ministro da Agricultura venha a público dizer que a safra de 2004 será de mais de 50 milhões de sacas, segundo fonte de um jornal especializado em café.
''Há 2 anos, esta Associação está acionando na Justiça duas empresas exportadoras e uma consultoria por divulgarem pesquisas de safra sem comprovação científica e que poderiam ter servido a especulações do sensível agronegócio café. A afirmação do ministro é estarrecedora pois sequer a safra de 2003 foi colhida e a próxima florada será apenas em setembro, após a colheita. O governo conta com a estrutura da Conab para realizar as pesquisas de safra e cuja projeção da safra de 2003 será revelada daqui alguns dias. O único fato real que o ministro poderia declarar é que a safra atual será pequena.
''Presidente: há uma lei de rotulação do café empacotado no Estado do Paraná. Existem duas espécies de café, o Arábica e o Robusta (Conillon), que são diferentes. O Arábica possui sabor, aroma e paladar e o Robusta não tem aroma, sabor, nem paladar. Como são produtos diferentes, têm que ser rotulados para que o consumidor saiba o que está consumindo e o porquê dos diferentes preços.
''Esta rotulação trará enormes benefícios para a cafeicultura brasileira. Porém, os representantes da indústria do café entraram com ação de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal e se recusam a dialogar sobre a mesma.
''A cafeicultura precisa de apoio, não de favorecimento. A reação dos preços de café pode ocorrer com medidas simples e, às vezes, apenas psicológicas.
''Não podemos aceitar colocações incorretas e que se prestem à manutenção dos patamares do atual preço.
O que falta é pulso firme e direcionamento correto do governo que tem a obrigação de gerir uma política consistente para o café''.
Ricardo Gonçalves Strenger
Presidente da Associação Paranaense dos Cafeicultores

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