Na próxima semana Londrina vai sediar, até dia 20, no Parque de Exposições Ney Braga. o 1º Congresso Brasileiro de Soja, um megaevento que destacará o complexo de produção da soja, principal produto agrícola brasileiro que sozinho responde por 7,5% do PIB agropecuário e no ano passado injetou US$4,5 bilhões no País, através das exportações.
Segundo o organizador do congresso, o pesquisador da Embrapa Soja, José de Barros França Neto, a importância do Brasil no mercado internacional da soja vai atrair as atenções mundiais para o congresso, que deve reunir mais de mil pessoas. Serão 66 palestrantes e painelistas do Brasil e Exterior, que discutirão 41 temas diferentes. ‘‘É o primeiro evento deste porte no Brasil, e queremos reunir todos os integrantes da cadeia produtiva da soja, para debater os desafios e soluções’’, diz França Neto.
ComplexoNa safra que está terminando de ser colhida, a estimativa é de que o Brasil colha 31,1 milhões de toneladas, o que representa R$7,5 bilhões em valor bruto. Normalmente, 70% da produção brasileira é exportada em forma de grão, e principalmente farelo. Hoje, o País ocupa o segundo lugar entre os maiores produtores do mundo, atingindo produtividades que não ficam a dever nada para os americanos ou para os argentinos.
Plantio experimental de soja transgênica na sede da Embrapa em Londrina: polêmica só está começandoSegundo França Neto, a produtividade média brasileira é de 2.418 kg/ha. Mas, em alguns Estados, como Paraná e Mato Grosso, essas médias são bem maiores. ‘‘No Paraná, nesta última safra, estamos alcançando a maior produtividade histórica, de 2.630 kg/ha, e no Mato Grosso, onde foram desenvolvidas tecnologias e variedades próprias, a média chega a 2.780 kg/ha, também com a ajuda do clima.
A União Européia é o maior comprador da soja brasileira, vindo em seguida o Japão e depois outros países asiáticos. Segundo o pesquisador Antônio Carlos Roessing, da área de Economia da Embrapa Soja, o crescimento desse mercado nos próximos anos vai depender do comportamento da economia mundial, em especial a asiática.
Presente e FuturoPara discutir o presente e o futuro de toda a cadeia produtiva da soja, o 1º Congresso Brasileiro de Soja pretende reunir pesquisadores, empresários, estudantes e, pela primeira vez, também produtores. A diversidade de temas vai da produção à comercialização e industrialização, passando por temas polêmicos como a soja transgênica.
Segundo França Neto, todos os 41 temas são encarados como desafios a serem debatidos em busca de soluções. ‘‘O futuro dos programas de melhoramento genético da soja, após a recente implementação da Lei da Proteção de Cultivares, será debatido sob o ponto de vista das instituições públicas e privadas’’, adianta França Neto.
Versátil na alimentação humana, a soja também tem potencial como alimento terapêuticoAspectos agronômicos da cultura, envolvendo semeadura direta, agricultura de precisão, qualidade de sementes, doenças, manejo de praga e plantas, microbiologia e fertilidade de solos, também serão abordados.
França Neto destaca o segmento transporte, que também terá seu espaço de discussão, como um dos fatores que determinam a competitividade do produto pós-colheita. ‘‘O custo do transporte chega a corresponder a 1/3 do preço da soja, para sair da região do Brasil Central, por exemplo, e chegar até o porto de Paranaguᒒ, comenta o pesquisador.
Uso não convencionalAs mais diversas utilizações da soja são outro capítulo à parte que será mostrado no congresso. O biodiesel, uma mistura que utiliza 20% de soja na composição do óleo combustível, é uma alternativa mais barata e 35% menos poluente. A soja também tem sido usada na composição de resinas, tintas, colas, solventes, plásticos, massa para vidraceiros, entre outros produtos. Quem vai falar sobre o tema ‘‘Potencialidades industriais da utilização não alimentar da soja’’ é o pesquisador da Universidade de Nebraska (EUA), Milford Hanna.
Na composição de alimentos, a soja também tem múltiplas funções, tanto na alimentação humana, como na alimentação animal. Diversos painéis vão mostrar os resultados de pesquisa nestas áreas, com destaque para ‘‘A soja na prevenção e no tratamento de doenças crônicas’’, uma abordagem que será feita pelo pesquisador Stephen Barnes, do Departamento de Toxicologia e Farmacologia da Universidade do Alabama, (EUA). Outro destaque, ainda na área de alimentos, é a palestra ‘‘Alimentos de soja obtidos por novas tecnologias de processamento’’, que será apresentada por Akinori Noguchi, do Japão.
ProdutoresO produtor, um dos principais agentes da cadeia produtiva da oleaginosa, poderá participar do congresso. ‘‘Normalmente os congressos e seminários são dirigidos mais aos pesquisadores e técnicos, mas neste queremos abrir espaço para o produtor’’, comenta França Neto. Duas atividades serão dirigidas especialmente a quem produz: ‘‘Fórum sobre gestão da propriedade rural’’ e a palestra ‘‘Como fixar preços da soja em bolsa, sem risco de ajustes negativos’’. Os dois temas pretendem ajudar os produtores a gerenciar melhor suas propriedades e alcançar melhores resultados na hora da comercialização.ArquivoA soja entra na composição de inúmeros produtos, cumprindo um papel importante na economia nacionalCristina Côrtes

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