A caminho do equilíbrio
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sexta-feira, 01 de junho de 2007
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A preservação das florestas e da fauna no Paraná, até bem pouco tempo atrás, se resumia a ações isoladas. Há cerca de oito anos, entretanto, o estado deu início a um trabalho conjunto, criando uma política global de planejamento em meio ambiente. Este é o foco da Rede da Biodiversidade, que prevê ações nas seis principais bacias hidrográficas do Estado - rios Iguaçu, Paranapanema, Ivaí, Paraná, Piquiri e Tibagi.
O objetivo inicial deste projeto, explica João Batista Campos, diretor de biodiversidade e de áreas protegidas do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), era recuperar e manter a vegetação ao longo do curso dos rios (mata ciliar).
O projeto cresceu e, hoje, a rede é formada por vários corredores que conectam Unidades de Conservação (UC) e áreas de florestas. ''Quando você tem áreas isoladas de preservação do meio ambiente, há perda e extinção de espécies da flora e da fauna. Os corredores aumentam a possibilidade de comunicação e de reprodução dessas espécies, mantendo assim a conectividade'', justifica Campos.
Visando aumentar o trabalho da rede da biodiversidade, foram criados três novos corredores. Um deles é o corredor Araucária que tinha como foco as árvores de araucária, que produzem o pinhão. Já o corredor Caiuá-Ilha Grande tem duas Unidades de Conservação - o Parque Nacional de Ilha Grande e a Estação Ecológica do Caiuá. Nele está o único trecho brasileiro do Rio Paraná que ainda segue seu curso natural, sem represamento.
De olho no Parque Nacional do Iguaçu, foi criado ainda o corredor Iguaçu-Paraná, que conecta o parque com a área de entorno do reservatório da Usina de Itaipu.
As ações promovidas nesses três corredores entre os anos de 2000 e 2006 mostram que a iniciativa deu certo. O principal resultado foi o aumento na cobertura florestal dessas regiões. No corredor Caiuá-Ilha Grande, a floresta que era de 48.700 hectares passou para 74 mil ha, um aumento de quase 6% na vegetação.
No corredor Iguaçu-Paraná, a cobertura florestal passou de 11,5% para 23,5%, chegando a 79 mil ha. No Araucária, a cobertura florestal passou de 149 mil hectares para 200 mil.
Campos, explica que a rede da biodiversidade prevê o isolamento de 30 a 500 metros de cada margem dos rios para a preservação da mata ciliar. Depois da criação da rede, foi proposto que a reserva legal (lei que obriga os produtores a manter 20% das propriedades como reserva ambiental) fosse criada imediatamente ao lado da área de mata ciliar. Com isso, começou a formação dos grandes corredores de biodiversidade. Ele não tem um levantamento do número de produtores que atualmente cumprem a legislação.


