Fotos: Milton DóriaEntusiastaProdutor Jovelino Sassi: ‘‘Prefiro ter um carrinho de café do que um caminhão de milho’’‘‘O Paraná voltou a acreditar no café.’’ Com esta frase, o engenheiro agrônomo do Departamento Nacional do Café (Denac), Francisco Barbosa, resume a situação vivida hoje pela cafeicultura no Estado. Depois de entrar em franco processo de desaparecimento, após a grande geada de 1975, a cultura reagiu à campanha desencadeada pela Secretaria da Agricultura e Abastecimento, através do Plano Integrado para a Revitalização da Cafeicultura Paranaense, e desde o ano passado vem registrando um significativo aumento na produção.
Segundo Barbosa, em 95 (quando também houve geada) o Paraná produziu 150 mil sacas de café, passando para 1,2 milhões de sacas em 96. Para 97, a expectativa é que o Estado produza em torno de 2 milhões de sacas. A Associação Brasileira dos Exportadores de Café informou recentemente que a exportação de grãos deverá movimentar 2 bilhões e 600 milhões de dólares em 1997. Este valor, se confirmado, significará um aumento de 51% em relação ao que foi arrecadado nas exportações do ano passado, que chegaram a 1 bilhão e 720 milhões de dólares.
O crescimento do volume produzido não significa, porém, que tenha ocorrido um grande aumento de área plantada. É que a técnica do plantio adensado, que aumenta em até quatro vezes o número de plantas por hectare, está sendo adotada em praticamente todas as novas lavouras paranaenses de café.
Renda maiorA tecnologia foi desenvolvida no Estado pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), e está causando uma verdadeira revolução nos cafezais. Enquanto os antigos plantavam no máximo 2,5 mil mudas por hectare, a nova técnica recomenda o plantio de 8 a 10 mil mudas/ha. No mesmo espaço de terra, aumenta-se de 10 para 50, em média, o número de sacas beneficiadas anualmente por hectare. Com a produção maior, a renda do agricultor, que no sistema tradicional seria de R$ 1.500,00, aumenta para R$ 7.500,00 por hectare.
Estima-se que os viveiros do Paraná tenham hoje mudas suficientes para plantar mais uns 6 mil hectares no sistema adensado. ‘‘No passado, com a mesma quantidade de mudas, a área plantada seria muito maior’’, compara o pesquisador e líder do Programa Café do Iapar, Armando Androcioli Filho.
Ele lembra que em 89, quando os produtores passaram a adotar o plantio adensado - o Iapar começou a recomendar a tecnologia em 1980 - não havia mais nenhum viveiro de mudas de café no Estado. Hoje já existem cerca de 130 viveiros registrados, segundo levantamento feito pela Emater. E desde que os produtores resolveram acreditar na nova tecnologia, a demanda por mudas tem sido maior que a oferta. Tanto que, para Androcioli, a cafeicultura estaria crescendo muito mais no Estado se houvesse material de plantio disponível.
Oferta de empregoDe acordo com levantamento feito pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura, atualmente o Paraná possui 134 mil hectares de café. A área ocupada pelo plantio adensado estaria entre 9 e 12 mil hectares atualmente. Algumas estimativas falam em 20 mil hectares, até o final de 1997. Segundo Florindo Dalberto, diretor técnico-científico do Iapar e gerente da Câmara Setorial do Café do Paraná, se esta expectativa se confirmar serão gerados mais 8 mil novos empregos, considerando-se que cada hectare de café adensado absorve um homem por dia, durante todo o ano.
Na opinião de Francisco Barbosa, do Denac, um dos fatores que geraram a grande procura pelo café, atualmente, foi a conscientização dos produtores da importância da cultura dentro do processo de diversificação das propriedades. ‘‘Por ser uma cultura perene, de maior valor agregado, o café representa uma garantia de renda para o pequeno produtor.’’ Para o agrônomo, os bons preços do produto, atualmente, são apenas um dos estímulos. ‘‘O Paraná vem incentivando a cafeicultura desde que os preços estavam lá embaixo’’, observa.
Embora a cultura tenha passado por maus momentos, nos últimos anos, alguns produtores jamais desistiram de trabalhar com café. Um deles é Jovelino Penasso Sassi, de Prado Ferreira, no Norte do Estado. Em cerca de 2,5 hectares, ele tem quatro variedades plantadas (icatu, catuaí, mundo novo e katimor) e pretende testar a Iapar 59, este ano.
Dono do seu pedaço de terra há sete anos, Jovelino trabalhou com café a vida toda. ‘‘É o que eu gosto. Prefiro ter um carrinho de café do que um caminhão de milho’’, resume. O produtor acredita que a cafeicultura seja bom negócio tanto para o pequeno como para o grande, e para exemplificar, lembra que tudo o que tem - casa, carro, telefone - foi graças ao café.
Jovelino já colheu duas safras do seu próprio café, e é um dos que estão se rendendo ao sistema adensado, que conheceu há dois anos. No meio dos cafezais mais antigos, já se vêem pequenos pés, plantados ali no meio para aproveitar o espaço ocioso de terra. Animado, o pequeno agricultor pretende colher, em breve, uma média de 250 sacas em coco por hectare.

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