Muita grana e tecnologia. Essas duas palavras resumem o atual estágio de um mercado em ampla e franca expansão no Brasil, o da proteína animal, no qual, pelo rumo que tomam os mercados interno e externo, quem investir mais e melhor vai ganhar espaço e competitividade. Ou seja, não há mais lugar para pé-duro no pasto ou lambendo o cocho, argumento que os números endossam.
No mês passado, as exportações de carne bovina brasileira atingiram US$ 347,7 milhões, número 28% superior a fevereiro de 2009. Isso significa que, só no último mês, 151 mil toneladas de carne bovina brasileira foram devoradas mundo afora, no mesmo período do ano anterior - considerado ruim para a pecuária - foram 139 mil toneladas. Para completar o pacote de boas notícias para os produtores, uma surpreendente alta de 18% foi registrada no preço médio da carne bovina exportada pelo país, chegando ao patamar de US$ 3,5 mil dólares por tonelada. Os números são da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).
Durante uma semana, a reportagem da FOLHA, participando do Road Show para jornalistas, percorreu dois mil km pelo Estado de São Paulo. No roteiro, uma fazenda, uma central de genética bovina, um frigorífico, fábricas de suplementos mineirais e aditivos, a Central de Selagens de Vacina e a apresentação de um grupo que tem 450 mil cabeças de gado. Em todos os lugares, a mesma ênfase para os investimentos.
Na unidade da Marfrig Alimentos, por exemplo, no município de Promissão, cidade de 37,5 mil habitantes no Centro-Oeste paulista, a conversa gira em torno de crescimento. A empresa é a quarta maior produtora mundial de carne bovina e tem capacidade de abate, só no Brasil, de 23 mil cabeças de gado por dia, mas quer crescer ainda mais, em torno de 17%.
Com uma política de aquisição ou arrendamento de outros grupos, a Marfrig deve inaugurar no mês de abril duas plantas que foram arrendadas nas cidades de Paranavaí e Nova Londrina (região Noroeste), cada uma com capacidade de abate de 600 cabeças por dia. Uma boa oportunidade para os pecuaristas do Estado. Em 2009, o Paraná abateu apenas 784 mil das 21,3 milhões de cabeças abatidas no país, o que representa 3,6% da produção nacional, segundo a ABIEC. Há espaço para crescimento na produção do Estado. De acordo com o diretor industrial da Marfrig, Roberto Mulbert, o interesse é por qualidade. ''Precisamos que o boi chegue até nós com bom acabamento'', ele enfatiza.
A preocupação de Mulbert tem uma razão simples: a exportação. Por isso há exigência de qualidade de carcaça e acabamento de gordura. Uniformidade no lote que o produtor entrega ao frigorífico também é requisito que está se tornando quase básico.
''É importante que a carcaça tenha cobertura de gordura mais expessa que três milímetros, pois dessa forma terá gordura cobrindo desde o contra-filé até o coxão. É claro que não se preconiza que o animal seja gordo para que tenhamos gordura no prato, mas porque ela vai proteger a carne do efeito do frio da câmara fria, que a deixa mais escura'', explica Raul Mendes, diretor de compra de gado da Marfrig.

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