O gado premiado, aquele exibido nas exposições, está perdendo espaço para a genética. Ao invés de olhar para toda a beleza do animal, os pecuaristas brasileiros estão começando a se preocupar com seu DNA. O objetivo dessa mudança de pensamento é simples: otimizar a produção, criar animais mais eficientes, e claro, aumentar a rentabilidade do rebanho com o melhoramento genético. Essa será a principal discussão do 1º Fórum de Tecnogenética, que se realiza no próximo dia 4 de setembro, na Expocop 2010, em Cornélio Procópio. Com o tema ''A produtividade sustentável na pecuária'', o evento traz quatro especialistas que vão trazer as informações mais recentes aplicadas na produção nacional de carne e de leite.
Segundo Rubens César Pinto da Silva, diretor de estudos e pesquisas da Sociedade Rural da Região de Cornélio Procópio (SRRCP), com a valorização da terra, o gado começou a perder espaço para agricultura em relação à rentabilidade por hectare. ''Para aumentar a rentabilidade é preciso agregar valor à produção animal. No Paraná, a terra está cada vez mais cara, se não for realizado um melhoramento genético com o rebanho, fica complicado sobreviver nesse mercado. É como construir uma casa, ao invés de um prédio, num terreno supervalorizado na cidade'', compara Rubens.
Como o pecuarista brasileiro, de modo geral, ainda não tem bom embasamento técnico no momento de comprar um animal, o Fórum de Tecnogenética pretende mostrar a importância do criador conhecer as características genéticas e de hereditariedade do touro ou da vaca, por exemplo. ''A maioria compra por comprar, sem saber a importância das características do animal. É como adquirir qualquer produto sem o manual de instruções, não dá para saber o que esperar dele'', explica o diretor.
Para José Roberto Hofig Ramos, presidente da SRRCP, a busca por tecnologia para ajudar na produtividade pode auxiliar a região a se tornar um polo de animais melhoradores. ''Sem a avaliação de pesquisadores, não é possível dizer que um animal é eficiente só pela sua aparência. Se o criador compra um animal, tem que comprar com uma avaliação científica em cima'', orienta Hofig.
Um exemplo interessante sobre a efetiva aplicação do melhoramento genético são os Estados Unidos. Rubens explica que os norte-americanos possuem 90 milhões cabeças de gado e produzem 11 milhões de toneladas de carne. Já o Brasil tem 180 milhões de cabeças, e uma produção de apenas 12 milhões de toneladas. ''Temos 90 milhões de fêmeas matrizes, mas apenas 5% são inseminadas artificialmente. É muito pouco, temos tecnologia e área para aumentar esses números'', enfatiza.
No momento de adquirir um animal com tais características aperfeiçoadas, cada criador deverá saber interpretar os dados que atendam as necessidades de sua propriedade. Por exemplo, o produtor pode adquirir animais que transmitirão aos seus descendentes melhorias na carne, gordura, docilidade, dentre várias outras qualidades. ''Acredito que os produtores já procurem animais melhorados geneticamente, mas não sabem ainda como fazer da maneira adequada. Foi daí que surgiu a ideia do Fórum de Tecnogenética, sanar dúvidas dessa natureza'', completa o presidente da SRRCP.

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