A aveia multiuso
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quarta-feira, 02 de abril de 2003
Reportagem Local 
Uma variedade de aveia lançada na exposição de 1993, completa 10 anos como a melhor opção para o período crítico do inverno
Foi na Exposição Agropecuária de Londrina de 1993 que ''nasceu'' oficialmente a Aveia Preta Iapar 61-Ibiporã. A definição que ganhou na oportunidade foi: cultivar de Avena strigosa, destinada à alimentação animal (pastejo direto, verde no cocho, feno e silagem) e ao manejo e conservação de solos (cobertura e opção na rotação de culturas).
O objetivo era aumentar a disponibilidade e melhorar a qualidade da alimentação animal no período crítico do inverno, bem como ''produzir abundante palhada visando favorecer a prática do plantio direto''.
A nova cultivar foi apresentada ao público pelos pesquisadores José Carlos de Oliveira e José Pedro Garcia Sá. O lançamento oficial foi feito pelo então secretário da Agricultura Osmar Dias. O produtor Guilherme Kniebel, que acompanhou as pesquisas e avaliou a nova aveia em sua propriedade, destacou os valores da nova variedade no sistema de produção utilizado.
A pecuária paranaense, até então, não tinha um bom pasto no inverno. Agricultores e pecuaristas só dispunham da chamada ''aveia preta comum'', na realidade o nome dado a uma infinidade de genótipos com as mais diferentes características. Deixavam a desejar. E os produtores vinham de muitas frustrações com aveia.
Foram 10 anos de pesquisa, de 1983 até o ano do lançamento. Nesse período, além das avaliações do Iapar, a cultivar foi avaliada por outras instituições de ensino e pesquisa, que faziam parte da Comissão Paranaense de Avaliação de Forrageiras, e que conduziram ensaios em várias regiões do Estado. Como resultado dessas avaliações a comissão validou a recomendação do Iapar.
E a Comissão Sul-Brasileira de Pesquisa de Aveia estendeu a recomendação da Iapar 61-Ibiporã para os três Estados do Sul. O nome fantasia ''Ibiporã'' foi uma homenagem do pesquisador José Carlos de Olveira ao município. Além disso as pesquisas tiveram início na Estação Experimental de Ibiporã Raul Juliatto, de Ibiporã.
A nova variedade se destaca, entre outros atributos, pela grande quantidade de massa verde que produz e pelo seu ciclo tardio, sua principal característica (134 dias da emergência até a plena emissão de panículas). Isto possibilita ampliar o número de pastejo e cortes, aumentando o rendimento forrageiro e prolongando a proteção do solo nos cultivos destinados à cobertura viabilizando o sistema de plantio direto. A elevada produção de massa seca e a baixa decomposição dos resíduos permitem uma cobertura mais eficiente reduzindo a população de plantas daninhas e melhoradas as propriedades do solo (químicas, físicas e biológicas) favorecendo a rotação de culturas de verão.
Ao completar 10 anos, a aveia preta Iapar 61-Ibiporã mostra sua estabilidade mantendo a liderança na produção de forragem e de palhada para plantio direto, quando comparada com outras aveias.
A previsão feita na época do lançamento pelo pesquisador José Carlos de Oliveira, era de que o Paraná poderia, num período de cinco a seis anos, estar substituindo toda sua área plantada com aveia preta comum pela nova cultivar.


