A alta veio do milho
A demanda no consumo de suínos no Brasil, segundo o economista Gustavo Fanaya, do Sindicato da Indústria das Carnes do Paraná (Sindicarnes) é estática. Os embutidos - que trazem maior valor agregado - representam 80% desse consumo, com as carnes in natura respondendo pelos 20% restantes.
''O consumo de carne ou embutidos de suínos não costuma sofrer influências dos preços. Classes sociais de maior poder aquisitivo são as que mais compram embutidos. Há preconceito e, consequentemente, pouco hábito no consumo da carne in natura.''
A reação no preços da suinocultura, para Fanaya, é resultado da elevação no custo de produção, promovida pela alta nos ingredientes da ração (milho e farelo de soja), especialmente pelo milho. ''Houve uma pressão de custo muito forte e a indústria acompanhou. Nos baixos preços da carne durante praticamente todo o ano, o produtor teria ainda mais prejuízos'', afirma.
Esse prejuízo, na leitura da indústria, continua Fanaya, iria desestimular ainda mais os produtores pondo em risco a oferta do produto e a desestruturação de toda a cadeia produtiva. ''No começo do ano, a saca do milho estava cotada a R$ 19,14, hoje a cotação está em R$ 24,00, um aumento de 25%'', contabiliza.
O mês de junho foi considerado pelo economista o pior do ano para a cadeia, com o quilo da carne suína cotada a R$ 1,37. Este valor, explica Fanaya, é considerado preço básico e não representa exatamente o que o produtor recebeu. ''A carne suína tem outras remunerações agregadas de acordo com a eficiência do produto. Carne magra, por exemplo, tem um prêmio maior'', diz. Há ainda diferenças como o custo do frete. ''Se a indústria busca os animais na propriedade, o produtor soma ao valor de venda o que economizou com o transporte dos animais'', completa.
A abertura do mercado russo, segundo Fanaya, deve melhorar muito a situação da cadeia. ''É a Rússia o destino de 80% das exportações de carne suína do Paraná''. (C.G.)





