O domínio do agronegócio pelo universo masculino está aos poucos se extinguindo conforme as mulheres vão assumindo de forma crescente a gestão de empresas, cooperativas e também de propriedades rurais. Depois de atuarem por muitos anos apenas como expectadoras, as novas líderes do agronegócio mostram que são capazes de competir por igual com os homens nesse segmento tão diversificado. Olga Agulhon, produtora de grãos na região de Maringá, é um exemplo de administradora que enfrentou e venceu todos os desafios quando quis entrar para o setor. O maior deles, conta ela, foi o preconceito.

Olga explica que a mulher até pouco tempo não recebia incentivo para trabalhar nessa área. Segundo ela, os grupos femininos nas cooperativas paranaenses foram o pontapé inicial para a inclusão das mulheres no setor. "Sem esses núcleos femininos, nada disso que vemos hoje, como mulheres produtoras, teria acontecido", atesta. Olga relembra que começou como motorista na propriedade do seu pai. "Como ele não tinha filhos homens, desde cedo o acompanhei na lavoura". Olga acrescenta que a Cocamar, cooperativa a qual pertence, sempre fomenta encontros de produtoras, o que ajuda a estimular a inclusão da mulher no agronegócio paranaense.

Suzana Knapp faz parte do conselho de administração da Cooperativa Lar. Para chegar a esse patamar, ela revela que não foi uma tarefa muito fácil. Suzana conta que desde pequena já estava envolvida com a produção agrícola e, aos 13 anos de idade, começou a trabalhar em projetos desenvolvidos pela cooperativa. Por meio de cursos e treinamentos, ela aprendeu a lidar com propriedades rurais. Suzana não atua só na administração da cooperativa, mas também como produtora parceira na criação de suínos, aves e grãos.

Com a experiência que adquiriu dentro da cooperativa, Suzana aprendeu a gerenciar. "Para mim é um orgulho muito grande dizer que sou agricultura e que faço parte de um sistema tão maravilhoso que é o cooperativismo. Acredito que a profissão de agricultor é uma das mais nobres que existe, porque produz alimento", observa.

Cooperativismo

De acordo com o presidente da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Sistema Ocepar), João Paulo Koslovski, a mulher está tendo o seu trabalho reconhecido no meio rural. Segundo o dirigente, elas estão lado a lado com os homens, decidindo o que é melhor para as suas propriedades. Dados da entidade apontam que atualmente o sistema cooperativista emprega, no total, 67 mil pessoas de forma direta, sendo que 25,5 mil são mulheres, ou seja, 38% do quadro funcional das cooperativas agropecuárias.

O presidente da entidade acrescenta que as mulheres também marcam presença no quadro associativo, onde já são 15% do total dos 900 mil cooperados em diversos ramos de atuação. E esta participação, segundo ele, aumenta a cada ano. Um exemplo apontado por Koslovski são os eventos de formação realizados pela Ocepar, com a poio do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Paraná (Sescoop/PR). Em 2012, foram cinco mil eventos realizados, contando com a participação de 128.369 pessoas. Desse total, 56.225 eram mulheres, ou seja, 43,8%.

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