Geraldo Berger
Existe hoje um debate interessante na mídia: quando começa o século XXI? No
próximo ano? Ou em 2001? Não importa se teremos que esperar um ou dois anos, a questão é que estamos às vésperas do terceiro milênio.
Uma rápida análise da atividade agrícola mostra uma enorme evolução.
Afinal, há cem anos ela ainda dependia do arado movido por tração animal.
Introduzidas no campo neste século, os tratores e outras máquinas são hoje corriqueiros - e indispensáveis para uma agricultura em escala industrial. Olhando para trás, percebe-se o quanto a agricultura evoluiu. Mas, quando
olhamos para a frente, é que temos a real dimensão do quanto ainda precisamos
avançar, para alimentar uma família de 10 bilhões de habitantes em 2050.
Hoje, somos 5,5 bilhões de pessoas na Terra. Ou seja, em apenas 50 anos a
humanidade dobrará de tamanho. A quantidade de terra arável, por sua vez,
permanecerá a mesma. Pior: tende a diminuir por causa da erosão e do esgotamento provocado pelo manejo inadequado do solo.
É neste contexto que a biotecnologia vegetal se insere. Sua proposta é incorporar na semente a solução para diversos problemas que hoje são corrigidos durante o cultivo - e, desta forma, tornar a agricultura mais
sustentável. Essa revolução já está em curso e chega ao Brasil em 1999. Primeiro, com a soja Roundup Ready, da Monsanto. Depois, com diversos outros produtos que aguardam parecer final da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).
A soja Roundup Ready é um exemplo perfeito da evolução tecnológica na área
agrícola. Basta lembrar como o agricultor lidava com as ervas daninhas. Com a soja Roundup Ready, o manejo acontece apenas quando necessário. Isso
significa, principalmente, a menor necessidade de passadas de máquina - ou um
risco igualmente menor de erosão. Sem a competição das ervas daninhas, a planta desenvolve-se melhor.
Naturalmente, modernas práticas que preservam o solo serão mantidas. O Plantio Direto é um exemplo. Quando esse sistema foi desenvolvido, nos anos 70, representou a quebra de um paradigma, já que o agricultor pensava que quanto mais o solo fosse mexido, melhor a incorporação dos corretivos e adubos utilizados.
Voltemos agora à soja Roundup Ready: se o manejo de ervas que ela permite
utilizar será feito com herbicidas, ela é totalmente adaptada a esse sistema
de plantio. Não por acaso, dois anos após sua introdução, nos Estados Unidos, metade da amostra de agricultores ouvida em pesquisa de opinião declarou que iria ampliar a área plantada sob o Plantio Direto.
Este é o começo da agricultura do Século XXI: uma atividade que olha para
trás e aprende com a experiência, mas não tem medo de enfrentar os desafios
que o futuro trará.
O autor, Ph.D., é Gerente Técnico de Soja Roundup Ready.

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