No momento que o mundo cooperativo, com seus mais de 800 milhões de integrantes, celebra o Dia Internacional, seria interessante nos debruçarmos sobre as realizações do cooperativismo paranaense iniciadas com as primeiras experiências de cooperação entre os imigrantes ucranianos, poloneses, italianos, alemães e holandeses e japoneses.
  Em comunidades ainda em formação, o espírito de solidariedade trazido da Europa foi responsável pelo surgimento de inúmeras associações que tinham por objetivo provê-las dos insumos e recursos necessários ao seu sustento e desenvolvimento.
  As primeiras cooperativas acompanharam as comunidades que se instalaram ao longo da ferrovia que atravessou o Paraná. Estiveram presentes nos ciclos econômicos da madeira e da erva-mate. E foram responsáveis pela organização da produção leiteira. Nos anos 60 resolveram o grave problema da intermediação existente na comercialização do café.
  Mas foi na década de 70 que o sistema se organizou, aproveitando a nova dinâmica da agricultura, que ocupava as últimas fronteiras e investia no processamento industrial. Mas a cooperação não se restringiu ao setor agropecuário. Chegou ao setor urbano através das cooperativas de consumo, habitação, saúde, educação, infra-estrutura, trabalho e crédito, dando oportunidade para que grupos de pessoas se organizassem para solução de problemas como a falta de oportunidade de trabalho.
  Por isso dizemos que o Paraná, onde as cooperativas detêm 16,5% do PIB, é um Estado Cooperativo. O resultado econômico dos empreendimentos cooperativos não é um fim em si, mas o meio do movimento exercer a sua responsabilidade econômica e social que está intrínseca nos seus princípios que não são excludentes, pois preconizam a adesão livre, a gestão democrática, a participação econômica dos integrantes, a autonomia e a independência.
  Para propiciar a organização de sociedades sólidas, o cooperativismo atua fortemente na educação e formação de seus membros, pois o conhecimento tem a capacidade de produzir o diferencial entre sociedades submissas e independentes. Essa responsabilidade social ultrapassa os cooperados, alcançado os seus familiares e as comunidades onde estão inseridas. Afinal, o interesse pela comunidade é outro princípio do cooperativismo.
  Os resultados dessa responsabilidade social podem ser medidos pelos indicadores sociais do cooperativismo paranaense: receita de R$ 16,5 bilhões, mais de 407 mil integrantes. Investimentos de R$ 7,5 milhões na área de formação, beneficiando 104 mil pessoas diretamente e possibilitando que mais de 2.100.000 paranaenses estejam abrigados pela cooperação.
  Cooperativismo com resultado social é isto: mais empresas, mais empregos, mais renda, mas inclusão social. Esse é o resultado da cooperação que comemoramos neste Dia Internacional.
JOÃO PAULO KOSLOVSKI é presidente do Sistema Ocepar – Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná.


COOPERATIVISMO PARANAENSE EM 2006
ALGUNS NÚMEROS


229
cooperativas filiadas

407 mil
cooperados

16,5 bilhões
de receita/ano

55%
do PIB Agropecuário do PR

16,5 %
de participação no PIB do Paraná

773 mil
empregos

2,1 milhões
de paranaenses abrangidos

75%
mini e pequenos produtores

55%
da capacidade de armazenagem do PR


US$ 850 milhões
em exportações

790 milhões
de investimentos em infra-estrutura

R$ 690 milhões
impostos recolhidos aos cofres públicos

10 mil
hectares de preservação ambiental

5 milhões
mudas de árvores plantadas

R$ 7,5 milhões
de investimentos em treinamentos

104 mil
treinandos

13,1%
da receita se investe em ações sociais

1 milhão
usuários do ramo saúde


fonte: Ocepar

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