Atualmente somente três culturas possuem variedades geneticamente modificadas: soja, milho e algodão. De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Sementes (Abrasem), Narciso Barison Neto, em apenas 12 anos de implantação da tecnologia, o Brasil já conseguiu o status de segundo maior produtor de transgênicos do mundo, ficando atrás somente dos Estados Unidos. ''Ao todo, nas três culturas, já possuímos uma área plantada com as variedades transgênicas na ordem de 33 milhões de hectares''.
Nas culturas da soja e do milho, segundo dados da entidade, o índice de adoção chega a 70%, seguido do algodão, com 40% da área plantada de transgênicos. ''Esses materiais ofereceram rentabilidade para a agricultura brasileira, trazendo cada vez mais adeptos à tecnologia'', reforça Barion Neto.
Olga Agulhon, produtora da região de Maringá, é uma delas. A agricultora passou a adotar os organismos geneticamente modificados há três safras. Hoje, 100% da área de soja no verão e 90% da área voltada para o milho safrinha são transgênicas. ''Antes eu precisava passar de quatro a cinco aplicações de inseticidas. Agora, não passo nenhuma'', sublinha a produtora.
Sem a opção de aumentar a sua área plantada, Olga encontrou na transgenia uma possibilidade de produzir mais sem avançar a lavoura para áreas de preservação. Só nesta segunda safra, a agricultora já plantou mais de 70 hectares de milho. ''Com os transgênicos ganhei em rentabilidade e produtividade''. Além disso, Olga completa que os custos com itens básicos, como o óleo diesel, diminuíram significativamente devido à redução no número de aplicações com defensivos.
O presidente da Abrasem destaca que a adesão da tecnologia tende a crescer ainda mais nos próximos anos. ''No futuro, teremos sementes de soja, por exemplo, com alto teor de óleo e ômega 3'', completa. Questionado pela FOLHA sobre a disponibilidade de sementes para atender à demanda, Neto garante que não haverá falta de produto no mercado. (R.M.)

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