2014 pode ser o ano do apagão do bezerro
O aumento nos custos de produção e os baixos preços pagos pela arroba do boi estão desestimulando o pecuarista brasileiro, que há tempos tem abatido matrizes com o objetivo de reduzir os seus gastos com a atividade. Porém, isso pode gerar em 2014 um apagão no setor. Pode faltar animais para suprir as necessidades do mercado, revela Alexandre Turquino, presidente da Associação Nacional dos Produtores de Bovinos de Corte (ANPBC).
Ele avalia que para o pecuarista ter algum respiro, o valor da arroba do boi deveria estar na casa dos R$ 170. Hoje, a média gira em torno de R$ 110 a arroba. "Tivemos recentemente um acréscimo de 10% no valor da arroba, mas ainda não cobre o custo de produção", desabafa. Turquino aponta que a concentração de grandes frigoríficos pressiona os preços pagos aos produtores para baixo.
Já o consumidor, alerta, está pagando cada vez mais caro pelo produto. "Nas gôndolas do supermercados, o valor do quilo da carne poderia ser bem mais barato", observa. Segundo ele, o pecuarista chega a receber R$ 3,50 pelo quilo do produto. No varejo, o quilo do coxão mole no Paraná, por exemplo, fechou em novembro a R$ 16,95 o quilo, de acordo com dados fornecidos pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
Perante essas dificuldades, Turquino destaca que o pecuarista precisa, para o próximo ano, reduzir os seus custos para conseguir manter-se na atividade. Uma saída para melhorar a renda desse produtor seria a adoção do sistema de integração Lavoura, Pecuária e Floresta (iLPF). "É um segmento que tem crescido bastante e ajuda os produtores", observa.
O presidente da ANPBC alerta que se nada for feito para fomentar a pecuária de corte, a partir do final de 2014 vai faltar boi para abastecer o mercado, porque não se tem mais bezerros disponíveis. Segundo dados do Deral, hoje, o Paraná possui em torno de 9,5 milhões de cabeças de gado somando corte e leite. (R.M.)





