2002 será difícil para a cafeicultura
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sábado, 08 de dezembro de 2001
Carolina Avansini<bR>De Londrina 
O próximo ano ainda será difícil para os produtores de café. De acordo com o engenheiro agrônomo Francisco Barbosa Lima, coordenador regional do Departamento do Café (Denac) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em Londrina, os primeiros sinais de recuperação do setor aparecerão apenas no primeiro semestre de 2003, quando a produção mundial deve voltar a ser menor que o consumo, ao contrário do que acontece atualmente. Mesmo diante dessa perspectiva, ele recomenda não esperar milagres. ''A retomada dos preços será gradual'', avisou.
A explicação para essa possível mudança de conjuntura é que, diante dos baixos preços, no ano que vem haverá redução de área em todo mundo, refletindo na produção de 2003. ''Se houver menos café disponível, os preços tendem a subir'', comentou.
A atual crise foi desencadeada pelo excesso de produção, que supera o consumo mundial desde 1998. ''Em 2003, voltaremos a ter equilíbrio'', analisou Barbosa, lembrando que de 1994 a 1997 a produção mundial foi menor que o consumo. Na época, os preços eram compensadores e estimularam muitos produtores a migrarem para a atividade. ''Isso aumentou a quantidade de café disponível e desencadeou a crise.''
No Paraná
A maior parte dos cafezais paranaenses encontra-se em fase de granação. Nessa época, os tratos culturais adequados são a adubação, a capina e o início do controle da ferrugem. A dica, segundo o especialista do Denac, é racionalizar o uso de insumos para evitar prejuízos. ''É importante observar a dosagem recomendada, a época certa de aplicação e quais os produtos eficientes para cada situação. O correto é procurar um profissional para orientar'', ensinou.
Mesmo diante da crise, o produtor deve cuidar bem da lavoura, principalmente nos talhões mais produtivos e que serão mantidos para a próxima safra. ''Os cuidados dispensados na atual temporada vão refletir na safra de 2003, quando os preços estarão melhores'', alertou Barbosa. Outra recomendação do especialista é manter apenas os cafés produtivos. ''As lavouras velhas, com pouco potencial, devem ser eliminadas'', orientou.
Após a geada
Francisco Barbosa informou que na atual safra, o Estado recuperou de 60% a 70% da capacidade produtiva existente antes das fortes geadas do ano passado. ''Os cafezais plantados em sistema adensado demonstraram recuperação mais rápida'', disse.
Ele informou que as consequências da geada e a crise enfrentada pelo setor devem estimular a redução de área no Paraná. ''A previsão oficial de safra ainda não saiu, mas é possível que 25 mil a 30 mil hectares sejam erradicados'', acredita.
Também não há estimativa oficial de produção, mas segundo o agrônomo, o Estado provavelmente produza de 1,5 milhão a dois milhões de sacas em 2002. No atual ano, a safra paranaense foi de 600 mil sacas, por causa da geada. Em 2000, foi de 2,5 milhões.''A recuperação da capacidade produtiva também ameniza os efeitos da crise'', considera.
Devem permanecer na cafeicultura os produtores que possuem algum tipo de diversificação de renda, seja na propriedade ou exercendo outras atividades remuneradas. ''Quem vive exclusivamente do café enfrentará mais dificuldades'', considerou.
Preços
Após várias semanas de queda, o preço do café começou a apresentar reação positiva, informou Margorete Demarchi, técnica do Departamento de Economia Rural (Deral) da secretaria estadual de Agricultura e Abastecimento. Na semana passada, a saca foi comercializada no Paraná a R$ 82 por 60 kg, cerca de 9,3% acima do preço médio mensal recebido pelos cafeicultores em outubro, que foi R$ 75. Segundo Margorete, os fatores que motivam essa reação incluem o encerramento da colheita da safra brasileira, o aumento nas exportações e a renegociação das dívidas dos cafeicultores.


