''2002 é um ano que quero esquecer''
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sábado, 21 de dezembro de 2002
Cláudia Barberato<br> Reportagem Local 
Os suinocultores de todo o País, segundo o presidente da Associação Brasileira de Suinocultores, José Adão Braun, estão querendo esquecer 2002, um ano em que a atividade, embora tenha crescido em volume de produção, teve muitas dificuldades. ''Todos os custos de produção, exceto a mão-de-obra, foram dolarizados e tivemos que vender a carne em Reais.''
O milho, um dos insumos mais usados na suinocultura, depois que passou a ser commodity, a partir de 2001 com a exportação do produto, teve seu custo dolarizado. No mesmo ano houve maior plantio de soja, em função de bons preços internacionais, reduzindo área cultivada do milho e, portanto, oferta menor do produto. Por outro lado, houve uma produção excessiva de suínos, estimulada pela abertura de novos mercados e perspectivas de exportação.
Uma produção maior reduziu preços pagos aos produtores no mercado interno e a exportação não foi suficiente para absorver a maior produção. Só este ano, com novos projetos de produção em todo o País, foi possível uma produção de 500 mil toneladas a mais de carne suína.
Numa projeção, seguindo crescimento normal, a produção média brasileira deveria ser em 2002 de 2,35 a 2,4 milhões de toneladas, mas este ano foi 2,9 milhões de toneladas, o que acabou gerando desequilíbrio na atividade.
O desequilíbrio, segundo Braun, começou com o crescimento das exportações. De janeiro a outubro de 2001 o setor exportou 218 mil 509 toneladas. Em 2002 o número foi 390 mil 361 toneladas, 78,5% a mais. Mesmo com a exportação não foi possível trazer equilíbrio para o mercado interno, já que a produção foi ainda maior do que a média histórica.
''A venda para o mercado externo não foi suficiente para absorver toda a produção e equilibrar o mercado e o produtor não viu reflexo disso porque passou o ano todo perdendo dinheiro.''
O mercado interno, segundo José Braun ficou retraído por falta de poder aquisitivo da população; '' e as altas margens entre o preço pago ao produtor e o valor que o consumidor teve que pagar pela carne suína reduziram consumo. A carne ficou cara para o consumidor, mas o produtor recebeu pouco.''
Mesmo querendo esquecer 2002 o setor, de acordo com o presidente da ABS, espera que 2003 seja melhor. Ele também acredita no projeto do novo governo para melhorar o consumo da camada mais carente da população e acha que o setor deve apostar no aumento do consumo no mercado interno, a preços compatíveis tanto para produtores quanto para consumidores.
Mas um dos temores da atividade, segundo Braun, é a concentração de importadores, caso da Rússia que comprou em 2001 122 mil toneladas e este ano adquiriu 313 mil toneladas. Segundo Braun o risco de concentrar muito em apenas um importador pode ser perigoso.
''De uma hora para outra, por algum problema, podemos perder esse mercado e não ter para quem mandar tanta produção.'' Nos últimos 10 meses, segundo ele, a Rússia aumentou o consumo da carne suína brasileira em 156%. Além da Rússia, a Argentina, Hong Kong e Uruguai também são compradores. Mas, na visão do dirigente, os produtores devem se garantir com o mercado interno brasileiro. Por isso, lembra José Braun, o setor está fazendo uma campanha de marketing para aumento de consumo e esclarecimento sobre os benefícios de consumir carne suína. ''A carne suína brasileira tem qualidade, mas tem o agravante de que as concorrentes, principalmente o frango, e a carne bovina, chegam mais barato ao consumidor.''


